Palavra // 04 de fevereiro

“Como, pois, invocarão aquele em quem não creram? E como crerão naquele de quem não ouviram falar? E como ouvirão, se não houver quem pregue? E como pregarão, se não forem enviados? Como está escrito: como são belos os pés dos que anunciam boas novas!” (Romanos 10:14-15).

A série de perguntas retóricas do texto acima nos leva a uma conclusão lógica: é claro que ninguém pode crer naquele de quem não ouviram falar, e ninguém vai ouvir se alguém não pregar!

Um dos significados de “pregar” é “falar com intenção de convencer, incutir, insinuar”, ou seja, é fixar palavras no coração. As pessoas não se convertem se alguém não agir como porta voz de Deus! Sabemos que o testemunho de vida, o exemplo e o caráter têm fundamental importância no processo de pregação porque promove credibilidade; mas isso é apenas o começo. Nada pode substituir as palavras. Jesus ia por todos os lugares ensinando e pregando as boas novas (Mateus 9:35). Ele usava o recurso da voz e das palavras. Atos dos apóstolos narra quando os primeiros cristãos começaram a ser perseguidos: “Os que haviam sido dispersos pregavam a palavra por onde quer que fossem” (Atos 8:4). É pelo uso da nossa boca, sim, que vamos permitir o Espírito Santo convencer as pessoas.

 

Jesus quer curar a nossa boca

Paulo, o apóstolo, diz: “… A fé vem por se ouvir a mensagem, e a mensagem é ouvida mediante a palavra de Cristo” (Romanos 10:17). Abrir a boca, portanto, é condição para uma pessoa ouvir e por conseguinte crer; mas a palavra é a de Cristo (o ungido), a palavra ungida, e não a palavra da persuasão psicológica!

Sabendo disso, não é de se admirar que Satanás investe em inúmeras situações para travar língua dos crentes. Ele usa a estratégia da intimidação para calar a voz dos profetas e torná-los subservientes às filosofias e propostas humanistas contrárias à palavra de Deus. A Bíblia menciona a cura de um surdo e gago: “… Jesus colocou os dedos nos ouvidos dele. Em seguida, cuspiu e tocou na língua do homem. Então voltou os olhos para o céu e, com um profundo suspiro, disse-lhe: ‘Efatá!’, que significa ‘abra-se!’. Com isso, os ouvidos do homem se abriram, sua língua ficou livre e ele começou a falar corretamente” (Marcos 7:33-35). Jesus tem poder para destravar nossa língua. Por causa da timidez e por não se acharem suficientemente capacitados não abrem a boca, ficam mudos diante das oportunidades. Moisés usou esse mesmo argumento quando Deus o chamou para livrar o povo de Israel do Egito: “Disse, porém, Moisés ao Senhor: ‘Ó Senhor! Nunca tive facilidade para falar, nem no passado nem agora que falaste a teu servo. Não consigo falar bem!’ Disse-lhe o Senhor: ‘Quem deu boca ao homem? Quem o fez surdo ou mudo? Quem lhe concede vista ou o torna cego? Não sou eu, o Senhor? Agora, pois, vá; eu estarei com você, ensinando-lhe o que dizer’” (Êxodo 4:10-12).

 

Como vão entender se alguém não explicar?

O livro de Atos narra a história de Filipe e o eunuco etíope (Atos 8:26-40). O eunuco estava em sua carruagem lendo o profeta Isaías quando Filipe se aproximou: “… O senhor entende o que está lendo? Ele respondeu: Como posso entender se alguém não me explicar?” (8:30-31). Existem milhares de pessoas com uma sede tremenda da palavra, esperando que alguém sente ao seu lado e lhes explique; mas por causa do medo, timidez e sentimento de incapacidade dos cristãos elas se perdem! Estes dizem: “eu não sei falar”; mas como conseguem falar sobre tantos outros assuntos (futebol, trabalho, política…)? Outros ficam tão impressionados com a retórica de alguns pregadores que pensam: “nunca vou conseguir falar como ele”, então se intimidam… No entanto, nem mesmo Paulo se considerava eloquente: “Eu mesmo, irmãos, quando estive entre vocês, não fui com discurso eloquente, nem com muita sabedoria para lhes proclamar o mistério de Deus” (I Coríntios 2:1).

A Bíblia diz: “Sejam sábios no procedimento para com os de fora; aproveitando ao máximo todas as oportunidades. O seu falar seja sempre agradável e temperado com sal, para que saibam como responder a cada um” (Colossenses 4:5-6). Enfim, se não aproveitarmos as oportunidades para pregar, as pessoas nunca vão conhecer o evangelho! Jesus quer abrir nossos ouvidos para ouvir a Sua palavra e nossa boca para anunciar. Ouvidos e boca se complementam. Precisamos dar ouvidos ao que Ele disse: “Vão…, batizem…, ensinem…” (Mateus 28:19-20). Ele nos mandou pregar! Assim como Jesus colocou da Sua saliva na língua daquele homem, Ele colocou da Sua unção na nossa boca por meio do Seu Espírito. Hoje ele diz: “Efatá!”, que significa “abra-se!”.

Agora vá! Abra a sua boca corajosamente e testemunhe daquilo que Deus fez em sua vida!