Nestes dias o Senhor tem nos presenteado com o acréscimo de muitas vidas que se voltam a Ele em busca de reconciliação, cura, soluções para os problemas e outros anseios que permeiam o coração do humano. A Igreja (corpo vivo) é a agência de representação do Senhor, e a salvação (pelo sangue de Jesus) é a porta de entrada para o Seu Reino.
A salvação não é um fim em si. É necessário que o povo de Deus compreenda que cada salvo é um líder em potencial, segundo a promessa do próprio Deus – “Vejam, um rei reinará com retidão, e príncipes governarão com justiça. Cada homem será como um esconderijo contra o vento e um abrigo contra a tempestade, como correntes de água numa terra seca e como a sombra de uma grande rocha no deserto.” (Isaías 32:1-2). Hoje, o Senhor quer levantar líderes preparados, homens e mulheres que serão alicerce aos que estão adentrando ao Reino. Pessoas dotadas de capacidades de liderança, mas sensíveis à voz do Espírito a fim de exercerem a liderança sob a perspectiva de Deus.
O Salmo 89:14-15 diz, “A retidão e a justiça são os alicerces do teu trono, o amor e fidelidade vão à tua frente. Como é feliz o povo que aprendeu a aclamar-te, Senhor, e que anda na luz da tua presença!”
Esse texto nos ensina que as bases do trono (governo/liderança) do Senhor são a retidão e a justiça, e as bases de Sua conduta são o amor e a fidelidade. Mesmo quando Ele precisa ser firme (reto e justo) conosco, jamais deixa de ser terno e fiel (Salmo 89:32-34). Creio que a retidão e a justiça, assim como o amor e a fidelidade, são as bases para o exercício da liderança na Igreja de todos os tempos.
Ao analisarmos as palavras do profeta Isaías, quando fala do Messias, percebemos que Deus já anunciava como seria a liderança exercida por Jesus: “Ele se inspirará no temor do Senhor. Não julgará pela aparência, nem decidirá com base no que ouviu; mas com retidão julgará os necessitados, com justiça tomará decisões em favor dos pobres... A retidão será a faixa de seu peito e a fidelidade o seu cinturão.” (Isaías 11:3-5).
Jesus cumpriu com uma liderança de grande êxito e tratou de deixar claro como se deveria liderar os discípulos, quando advertiu os fariseus. Tais líderes negligenciavam as bases da justiça, da misericórdia - expressão de amor - e da fidelidade (Mateus 23:23). Mais tarde, Paulo, o apóstolo desbravador, relacionou o amor e a fidelidade como frutos que podem ser cultivados e alcançados mediante a ação do Espírito Santo (Gálatas 5:22).
Infelizmente, a Igreja ainda convive com uma idéia de liderança mais punitiva do que amorosa e mais tendenciosa do que justa. Talvez isso seja algum resquício do regime militar, ou do domínio pela religiosidade de outrora. Mas, a verdade é que as bases da liderança de Deus não mudaram e não mudarão.
A Igreja Celular tratou de resgatar o princípio do discipulado em pequenos grupos e individual, mas o líder deve tomar cuidado quanto às bases de sua liderança. Por um lado, ele deve ser
reto (imparcial, direito, honesto e íntegro em relação à doutrina bíblica) e
justo (conforme a justiça de Deus, imparcial, exato e preciso quanto à lei de Deus). O líder que não exercitar a retidão e a justiça, terá discípulos descomprometidos com os ensinos do Senhor Jesus. Mas, se o líder não se mover em espírito de
amor (sentimento de dedicação absoluta a outro ser) e
fidelidade (qualidade de fiel = que é digno de fé, que cumpre aquilo a que se propõe, leal, honrado, que é um servidor fiel), correrá o risco de tornar-se opressor.
Jesus não concordava com esse tipo de liderança quando denunciou os mestres da lei e os fariseus: “Eles atam fardos pesados e os colocam sobre os ombros dos homens, mas eles mesmos não estão dispostos a levantar um só dedo para movê-los” (Mateus 23:4). No entanto, ele ensinou que devemos amar uns aos outros e dar a vida pelos amigos (João 15:12-13).
O apóstolo João, em sua terceira carta às Igrejas, traça um paralelo entre o servo Gaio, o qual foi fiel e amoroso para com os visitantes enviados por ele (versos 3-6), e o servo Diótrefes, um membro da mesma Igreja que se mostrou tirano e opressor (versos 9-10). Gaio recebeu os elogios de João, enquanto Diótrefes seria repreendido.
Diante destas verdades, as Células devem se constituir num reduto de justiça e retidão, mas devem, também, ser um lugar onde a graça de Deus seja bem evidenciada. A responsabilidade para que isso aconteça recai sobre o líder. Ele é quem vai dar “clima” espiritual à sua equipe.