Palavra Conecta // 07 de julho

O evangélico e o político

(Lucas 18:9-14)

 

Se fizermos uma pergunta nas ruas de Blumenau sobre o que eles acham dos evangélicos e dos políticos, qual você acha que seriam as respostas?

O texto de Lucas conta uma parábola de Jesus. Jesus contou muitas parábolas no novo testamento. Não foi Jesus quem inventou as parábolas, elas já tinham sido usadas também no antigo testamento como no exemplo do profeta Natã e Davi (2 Samuel 12). Os fariseus e os rabinos daqueles dias também usavam parábolas para explicar a Lei de Moisés. Só que diferente dos fariseus e dos rabinos, Jesus usou parábolas para dar novas revelações ao povo Judeu e denunciar a hipocrisia dos religiosos da época. Jesus falava por parábolas para explicar verdades complexas de uma forma simples. Todas as parábolas de Jesus tinham um ensinamento. A do texto de Lucas 18: 9-14, Jesus contou a parábola do fariseu e do publicano.

Para quem era esta parábola? Jesus já dá a resposta no versículo 9. “A alguns que confiavam em sua própria justiça e desprezavam os outros, Jesus contou esta parábola…” (Lucas 18:9) Jesus contou esta parábola para as pessoas que confiam em si mesmas, pessoas de nariz empinado, que se acham a última bolacha do pacote e por isso desprezam as outras pessoas.

 

Quem eram os fariseus?

 

“Dois homens subiram ao templo para orar; um era fariseu e o outro, publicano.

O fariseu, em pé, orava no íntimo: ‘Deus, eu te agradeço porque não sou como os outros homens: ladrões, corruptos, adúlteros; nem mesmo como este publicano.

Jejuo duas vezes por semana e dou o dízimo de tudo quanto ganho”. (Lucas 18:10-12)

 

Fariseu significa separado. Foi um grupo de Judeus que se reuniu no período intertestamentário porque estavam profundamente preocupados com o declínio da religião entre o povo Judeu daquela época e com a negligência quanto a lei de Deus. Os fariseus comprometeram-se ao contrário de todos os judeus que se secularizaram, a permanecer totalmente dedicados a guardar a lei de Deus em um esforço para restaurar a justiça na terra e a piedade do povo. Mas, em um período muito curto de tempo, tornaram-se tão envolvidos com seu desejo de ser justo que logo tiveram confiança na própria obediência a Lei. Lei esta, que foi concebida originalmente por Deus para ensiná-los. A função primária da Lei era agir como espelho, e quando olhassem no espelho, eles veriam em primeiro lugar a Santidade de Deus e a falta de santidade deles em contraste com Deus. Os fariseus, ao invés de olhar por este espelho, olharam para um espelho que eles criaram onde mostrava a “justiça deles” e por isso, tornaram-se orgulhosos e confiantes demais em sua própria realização moral. Por isso, começaram a ter um espírito de isolamento de todas as pessoas da terra. Uma das doutrinas falsas que se desenvolveu entre os fariseus era a ideia da justificação pela segregação. Ou seja, uma pessoa seria justificada por Deus, desde que ela conseguisse se manter “limpa” de qualquer contato com qualquer pessoa que de alguma forma se “contaminou”. Mateus relata o questionamento dos fariseus com os discípulos de Jesus. “Estando Jesus em casa, foram comer com ele e seus discípulos muitos publicanos e “pecadores”. Vendo isso, os fariseus perguntaram aos discípulos dele: “Por que o mestre de vocês come com publicanos e ‘pecadores’? ” (Mateus 9:10,11)

Voltando à parábola, Jesus fala algumas características do fariseu. Jesus relata que o fariseu orava de pé, no íntimo, ou seja, aparentemente parecia uma pessoa muito espiritual. Jesus relata suas qualidades. Não era ladrão, não era corrupto, não era adúltero e não era publicano. Além disso jejuava duas vezes por semana e dava o dízimo de tudo o que ganhava.

Se fossemos olhar aos olhos naturais, este homem é um excelente cristão. Tem um excelente caráter e ainda é generoso. O padrão moral de vida dele é maravilhoso, mas infelizmente Jesus afirma que este homem não foi justificado diante de Deus, por quê? Porque tudo o que nós fazemos não nos torna justos diante de Deus. Este fariseu apresentou sua lista de qualidades morais e religiosas diante de Deus, mesmo assim, todas estas qualidades não foram suficientes para tornar aquele fariseu justo diante do Senhor. Infelizmente muitos evangélicos tem postura muito semelhante ao fariseu. Acham que o muito fazer na igreja os torna justos, por isso confiam na sua qualidade moral e generosidade. São também semelhantes na justificação por segregação onde falam mal daqueles cristãos que andam com pecadores. Ele não se envolve com os perdidos em hipótese alguma, pois não pode se contaminar. Estes, se apresentam diante de Deus dizendo que são líderes de célula ou supervisores, ou vão na oração toda a terça-feira, ou afirmam que estão fazendo o Conecta Challenge. Afirmam também, que estão se guardando para o casamento, ou que são fiéis no casamento. Outros se apresentam dizendo que não faltam no mutirão, são do louvor, ou são pastores, etc. Nada do que fazemos para Deus pode nos justificar diante dEle.

 

Quem eram os publicanos?

 

“Mas o publicano ficou à distância. Ele nem ousava olhar para o céu, mas batendo no peito, dizia: ‘Deus, tem misericórdia de mim, que sou pecador”. (Lucas18:13)

 

Os publicanos eram os mais desprezíveis para o povo judeu. Eles eram cobradores de imposto. Eram judeus que cobravam impostos dos judeus para dar o dinheiro aos Romanos que dominavam o povo na época. Além de serem considerados traidores pelo povo judeu, os publicanos eram corruptos. Eles roubavam os judeus cobrando valores indevidos do seu próprio povo. Foi este cidadão odiado pelo povo, corrupto, bandido e traidor que estava orando a Deus. O publicano lembra demais os políticos do Brasil. Infelizmente a classe política é mais odiada no Brasil.

Voltando para a parábola, Jesus afirma que o publicano estava tão envergonhado que não conseguia olhar para o céu. Ele tinha consciência do quanto era pecador e não usou de justificativa para Deus. Ele não falou que roubava porque todo mundo rouba. Também não falou que precisou ser publicano porque era o único emprego que tinha disponível para ele. A única coisa que ele fazia era bater no peito. Bater no peito é sinal de arrependimento. A única coisa que ele pediu foi misericórdia. Ele sabia que merecia ser condenado por Deus. Mas diferente do fariseu que foi para casa sem ser justificado embora tinha uma vida moral ótima, este homem foi para casa justificado por Deus. Pois a chave para Reino de Deus é o arrependimento e ele só vem quando se tem humildade.

 

“Pois quem se exalta será humilhado, e quem se humilha será exaltado”. Lucas 18:14

 

O maior problema dos evangélicos de hoje é o mesmo do fariseu: orgulho. E o orgulho é como mau hálito, quem tem não sabe que tem. Infelizmente, os evangélicos de hoje estão sendo “justificados” sem arrependimento. O orgulho cega o ser humano, por isso os orgulhosos não podem ser justificados por Deus. A humildade mostra quem nós somos. Nada do que fazemos, pode pagar o preço pela nossa justificação. Ela acontece por meio da fé e se processa por um profundo arrependimento. A única coisa que podemos fazer é orar como o publicano: ‘Deus, tem misericórdia de mim, que sou pecador’.