Palavra Conecta // 11 de agosto

PAI HERÓI, OU PAI MODELO?
Para os gregos antigos o herói situava-se na posição intermediária entre os deuses
e os homens, sendo em geral filho de um deus e de um mortal. Portanto, o herói tinha
uma dimensão semi divina!
A história dos heróis, e dos super-heróis nos atrai. Por que? Porque há uma carência
na alma humana, um anseio constante por um herói, um messias. A raiz desse anseio
está em termos sido criados por Deus para depender dEle. Não nascemos para a auto
suficiência, somos carentes de proteção, cuidado, amparo, segurança… O problema é
que, por causa da nossa rebeldia, vamos procurar por isso em outras fontes!
A figura do pai é a referência na terra da figura de Deus. Deus é um Pai, a Bíblia
assim O define. Por isso, todo ser humano precisa de um pai, um pai “homem”, porquanto
ele reflete atributos de Deus em sua estrutura humana (espírito, alma e corpo) que tem
como objetivo suprir as carências de cuidado, proteção, amparo, segurança… A figura do
pai é insubstituível. A falta de um pai na formação de todo ser humano vai produzir uma
inevitável lacuna na personalidade de quem quer que seja. Por mais que alguém tenha
uma excelente mãe, jamais ela poderá substituí-lo ou mesmo fazer o papel dos dois!
Mas o verdadeiro pai não é o herói, o semideus. O verdadeiro pai é o modelo que o
filho pode alcançar. É um homem que reconhece ser sujeito a erros, falhas e limitações.
Ele é cem por cento humano, repleto de defeitos, como qualquer humano, e por isso tem
necessidade de Deus, depende dEle.
O pai modelo volta o seu coração ao coração do filho
“Vejam, eu enviarei a vocês o profeta Elias antes do grande e temível dia do Senhor. Ele
fará com que os corações dos pais se voltem para seus filhos, e os corações dos filhos
para seus pais…” (Malaquias 4:5-6) Voltar o coração aos filhos é conquistar o coração do
seu filho. Muitos pais querem exercer sua liderança, sem conquistá-la, com rigor e
arbitrariedade, sem considerar ou compreender o filho. Mas toda a liderança deve ser
conquistada, mesma aquela que já foi delegada por Deus. É grande o número de filhos
que perdeu a referência de autoridade, pois pai se tornou um autoritário.
Quando, primeiramente, o pai volta o seu coração ao coração do filho, o filho volta o
seu coração ao do pai. A atitude contrária de um pai faz com que um filho se perca.
quando um pai perde seu filho, talvez seja porque o filho já o perdeu há muito tempo! um
pai precisa ganhar seu filho, o coração dele.
Voltar o coração ao filho é:
1) Estar presente . O filho não quer presente, ele quer presença. É provado pela ciência
que os registros emocionais de um filho nunca se referem a coisas materiais, mas ao
afeto, às demonstrações de amor, carinho, atenção, aceitação. Hoje os pais andam muito
ocupados! Não têm tempo de qualidade com os filhos, porque estão trabalhando, com a
justificativa de proporcionar conforto à família. Porém, o pai modelo é aquele que está
disposto a abrir mão de recursos materiais e conforto, se preciso for, para dar conforto à
alma de seu filho. Ele perde coisas para ganhar seu filho, pois considera-o como o bem
mais precioso. O pai convertido ao coração do filho dá o seu melhor, e isso pouco tem a
ver com coisas materiais!
2) Não irritar os filhos – “Pais, não irritem seus filhos, para que eles não desanimem”
(Colossenses 3:21). O que é irritar? É não dar o que ele quer? É não pegar no pé dele?
Nada disso. Pelo contrário, irritar é privar o filho do que ele precisa: amor, atenção,
suprimento, correção, ensino, educação, etc. Os filhos se iram quando o pai não
demonstra interesse e preocupação por eles. Um relacionamento superficial e sem afeto
provoca contenda, gera uma atmosfera pesada e propensa à discussões e brigas.
Mas também muitos pais cobram demasiadamente, são perfeccionistas,
sobrecarregam seus filhos de atividades e exigem resultado. Querem que eles sejam os
melhores em tudo, de certa forma, sem perceber, transferindo a eles a responsabilidade
de conquistar o sonho que, talvez, não conseguiram conquistar. Os pais devem deixar os
filhos serem o que eles nasceram para ser, e não o que os pais querem que eles sejam.
Pais que cobram perfeição vão perder o coração dos filhos mais cedo ou mais tarde. Eles
vão se sentir rejeitados e procurar por aceitação em “pessoas que tenham defeitos” como
eles. Isso faz com que o filho desanime, como diz o texto, pois a ênfase do pai não está
em suas conquistas e realizações, mas sempre naquilo que falta.
A aceitação que um filho não tem em casa o levará a procurar lá fora, entre amigos
que estão procurando a mesma coisa. Esta é a razão pela qual muitos, na busca de
serem aceitos, se envolvem com todo tipo de prática ilícita. A filha que não tem a
aceitação do pai em casa, por exemplo, facilmente se entrega à qualquer aventureiro que
a chame de “princesa”, que na verdade só quer curtir o seu corpo e depois descartá-lo,
como se faz com o bagaço de uma fruta.
3) Ensinar o filho – “Que todas estas palavras que hoje lhe ordeno estejam em seu
coração. Ensine-as com persistência a seus filhos. Converse sobre elas quando estiver
sentado em casa, quando estiver andando pelo caminho, quando se deitar e quando se
levantar” (Deuteronômio 6:6-7) – Outra palavra para “persistência” é “inculcar”, que na
palavra original hebraica tem o sentido de gravar numa pedra com uma ferramenta
pontiaguda. Da mesma forma um pai deve gravar as palavras no coração de seus filhos. é
preciso intencionalidade, tempo e perseverança.
Ensinar o filho, colocando as palavras de Deus em seu coração nada mais é do que
ensinar o caráter de Deus. Alguns pais pensam que o filho vai aprender tudo na primeira
lição. Isso é pura ilusão! Ensino é uma prática constante, como um trabalho artesanal,
intenso. A formação de um filho leva uma vida inteira, é um processo lento. Por isso o
texto diz que o ensino deve ser em todo lugar e situação. Trata-se de um estilo de vida.
As palavras serão gravadas no coração pelo respaldo do exemplo, no andar do dia a dia,
na vivência dos princípios e valores do Reino, com intencionalidade e constância.
4) Instruir – “Instrua a criança segundo os objetivos que você tem para ela, e mesmo com
o passar dos anos não se desviará deles” (Provérbios 22:6). Instruir é o mesmo que
educar. Educar tem a ver com a formação do indivíduo como um todo; num sentido mais
amplo significa o meio em que os hábitos, costumes e valores de uma comunidade são
transferidos de uma geração para a geração seguinte. É transferir os valores de uma
cultura.
A educação do filho dependerá cem por cento daquilo que ele receber em seu meio.
Ou seja, é tão somente o meio que vai determinar a sua formação educacional, sua
herança cultural. O pai deve educar a criança no caminho em que ela deve andar. Qual
caminho? O de Deus!
Quando a personalidade de um filho é formada na cultura do Reino de Deus, ela não
vai se desviar, até quando envelhecer. Os valores do Reino são transferidos pela
vivência. Muitos pais chamam os filhos de malcriados, mas esquecem que quem os criou
foi eles mesmos. Um pai cristão cria seu filho com uma cosmovisão bíblica; ele o faz
pensar e raciocinar por princípios. É isso que dará ao filho a capacidade de tomar
decisões certas na vida e de fazer escolhas baseadas em valores. A cosmovisão de um
filho educado por princípios o faz viver a contracultura deste mundo corrompido e anti
Deus!
5) Corrigir – “Quem se nega a castigar seu filho não o ama; quem o ama não hesita em
discipliná-lo” (Provérbios 13:24); “A vara da correção dá sabedoria, mas a criança
entregue a si mesma envergonha a sua mãe” (Provérbios 29:15). O pai que ama, corrige.
Corrigir é fazer voltar ao caminho certo. Disciplinar é ensinar a disciplina, é estabelecer
princípios, limites; ou seja, mostrar o que é certo fazer e o que não é certo.
Um pai que corrige é um pai que admite a existência de um Deus, e que Seus
mandamentos são absolutos. Ele não se deixa dominar relativismo dominante da
pós-modernidade. Hoje muitos pais se negam a corrigir seus filhos sob a falsa lógica de
que eles devem fazer suas escolhas, quando quiserem e se quiserem. Sim, isso é
verdade, mas depois que receberam fundamentos para a vida. E os fundamentos estão
em Deus, Criador de todas as coisas, e em Sua palavra. O filho sem disciplina, entregue a
si mesmo (sem direção, sem princípios), envergonha a sua mãe, e o seu pai…
O construtivismo é uma afronta a Deus. Está totalmente baseado no relativismo, na
inexistência de Deus, no marxismo cultural. É exatamente por causa disso que os filhos
estão ficando cada vez mais vulneráveis emocionalmente. Eles são estimulados a fazer o
que querem. Os pais dão a eles tudo o que querem, sem jamais repreendê-los ou corrigir
suas falhas. Quando enfrentam conflitos na vida, quando suas vontades não são
correspondidas, se revoltam e podem chegar ao cúmulo de cometer suicídio. São filhos
que não estão preparados para enfrentar a vida, pois foram criados pensando que o
mundo gira ao redor deles.
6) Ser o orgulho do filho – “Os filhos dos filhos são uma coroa para os idosos, e os pais
são o orgulho dos seus filhos” (Provérbios 17:6). O pai segundo Deus é o orgulho do filho.
Não o “pai herói”, que dá tudo, que vive quebrando seu galho; e sim o pai que ensina,
instrui, corrige. Então, o filho dirá: “sou o que sou porque meu pai me influenciou a ter o
caráter que tenho”. Todo pai que sabe amar, equilibrando carinho e firmeza vai gerar um
filho grato e orgulhoso de seu pai.
A palavra original no versículo traduzida por “orgulho” é “ornamento”, “formosura”,
“enfeite”, “beleza”. Então, o pai se torna o enfeite, o adorno do filho. É como se a
presença do pai estivesse ornando sua vida o tempo todo. O ensino e o exemplo do pai
ficam gravados no caráter e nas ações do filho durante toda a vida. Você, pai, é o
“enfeite” de seu filho. Ele leva a sua glória, a sua formosura em seu viver? Seu filho tem
orgulho de você?
Hoje é dia de restaurar essa formosura. Você, pai, é influência, bem ou mal. Você é
o maior líder que seu filho pode ter. A maior referência de liderança que um ser humano
pode ter é a figura de seu pai. Deus delegou a ele o governo, o sacerdócio. Por isso, não
deixe que outro tome esse lugar tão importante na vida de seu filho, tão relevante na
história das suas gerações. Seja você essa referência. Ninguém fará o que só você foi
criado para fazer. Todo pai é insubstituível. Exerça essa influência, aproveite essa
oportunidade. Amém!