Palavra Conecta // 16 de Fevereiro 2019

ROMPENDO AS BARREIRAS DA IMATURIDADE

(1 Coríntios 13)

 

Imaturidade segundo o dicionário Webster 1828 é: falta de crescimento completo, diferenciação ou desenvolvimento. Exibindo menos que um esperado grau de maturidade.

No sábado passado falamos sobre as barreiras do isolamento. Falamos que o isolamento está diretamente ligado ao afastamento de Deus. O vazio de todo ser humano só pode ser preenchido com o amor de Deus. Este primeiro passo quando acontece, nasce uma nova pessoa (2 Cor.5:17). A questão é que o novo nascimento não é o fim, mas o inicio de uma caminhada. O propósito de Deus é nos tornar a imagem de seu filho Jesus (Rm.8:29). E quanto mais caminhamos em direção de ser a imagem de Jesus, mais maduros nos tornamos. Por isso, posso afirmar categoricamente que Deus anseia que seus filhos alcancem a maturidade. “E ele designou alguns para apóstolos, outros para profetas, outros para evangelistas, e outros para pastores e mestres, com o fim de preparar os santos para a obra do ministério, para que o corpo de Cristo seja edificado, até que todos alcancemos a unidade da fé e do conhecimento do Filho de Deus, e cheguemos à maturidade, atingindo a medida da plenitude de Cristo” (Efésios 4:11-13). Perceba que a maturidade está diretamente ligada à unidade da fé e do conhecimento do Filho de Deus.

 

A maturidade está no ágape

 

Todo o capítulo 13 de Coríntios está focado no ágape. Este termo praticamente não era usado no mundo em que vivia o cristianismo. Eles conheciam o eros, o amor desejoso, ligado ao libido que Platão descreve com muita propriedade, mas em última instância voltado para o eu. Com o ágape, no entanto, o primeiro cristianismo designava a experiência maravilhosa que tivera a partir de Deus em Cristo: um amor que não quer nada para si, mas entrega e sacrifica tudo, especialmente para indignos, culpados, inimigos, para pessoas que não podem retribuir nada nem agradecer realmente. O ágape não é uma possibilidade humana. Também não tem a ver com cordialidade e disposição para ajudar. O ágape somente pode ser proporcionado em Cristo por intermédio do Espírito Santo como uma realidade radicalmente nova, oposta à velha natureza egocêntrica. Portanto, o ágape é o mais importante para o cristão agora e na eternidade. O ágape é a coisa mais extraordinária que um ser humano pode ter, pois o ágape é a natureza do próprio Deus.

 

Sem o ágape, tudo perde o sentido

 

Falar línguas do homens e dos anjos, ter o dom de profecia, conhecimento e fé não são sinais de maturidade. Muitos tem a impressão equivocada que a maturidade está ligada ao número de dons que a pessoa tem. Paulo quebra este argumento afirmando que ter todos estes dons sem o ágape é só barulho e não tem proveito algum.

Conhecer também todos os mistérios e toda a ciência, bem como ser a pessoa mais generosa da face da terra ao ponto de se tornar um mártir, se não tiver o ágape não serve para nada. Isto assusta, pois muitos acham que a maturidade está ligada ao seu conhecimento academico, ou a capacidade de ajudar as pessoas, mas não é isso que Paulo afirma.

 

O ágape se manifesta nos relacionamentos 

 

“O amor é paciente, o amor é bondoso. Não inveja (cíúmes), não se vangloria, não se orgulha.
Não maltrata, não procura seus interesses, não se ira facilmente, não guarda rancor.
O amor não se alegra com a injustiça, mas se alegra com a verdade.
Tudo sofre, tudo crê, tudo espera, tudo suporta” (1 Coríntios 13:4-7).

Lendo os versículos acima, podemos ficar decepcionados com a simplicidade que se manifesta o ágape. Paulo explica de maneira simples o que é ágape e o que não é ágape.

Por natureza, nossos relacionamentos com os outros são determinados por simpatia e antipatia, que se alternam rapidamente. A velocidade que mudamos de amigos, trabalho e até de esposa ou marido, está ligado diretamente à falta de paciência. Pois a primeira característica do ágape é a paciência. O ágape é bondoso, ele não vive à partir do outro, mas se doa a partir de sua própria riqueza (Jesus). Ele não é amor “sangue suga”, que quer sugar todas as qualidades amáveis de outra pessoa, mas é um amor “jorrante”, que abraça o outro também com todas as suas dificuldades e incompatibilidades. A seguir Paulo fala o que o ágape não é. O ágape não invejoso ou ciumento, não se exibe, não quer chamar atenção para ele, não se orgulha, não é inconviniente, não é egoísta, não se ira com facilidade, não guarda rancor e não se alegra com a injustiça. Se um cristão não pratica nenhuma destas coisas, ele pode se considerar uma pessoa madura espiritual. O ágape se alegra com a verdade. O ágape não é cego. Não tem a ver com atitude de enfeitar ou encobrir a verdade em nome do “amor cristão”. Pelo fato de se importar verdadeiramente com o outro, ele também visa ajudá-lo de verdade corrigindo sua atitude em ágape.

Paulo agora fala quatro vezes a palavra tudo. Agora o ágape se torna mais perceptível pois ele é grandioso e diferente de qualquer “ amor” que vemos no nosso dia a dia. O ágape tudo sofre, tudo crê, tudo espera, tudo suporta. Por amor a nós, Jesus sofreu calúnias, agressões, mas não revidou. Por amor a nós, Jesus acreditou em seus discípulos mesmo eles o abandonando quando ele mais precisou. Tudo espera, tem a ver com esperança. Quem ágape, jamais perde a esperança. E porque temos esperança, suportamos tudo por causa do ágape. Estas são as formas mais poderosas de se manifestar o ágape, sofrimento, fé, esperança e suporte.

 

Invista sua vida naquilo que nunca acaba

 

O amor (ágape) nunca perece (acaba); mas as profecias desaparecerão, as línguas cessarão, o conhecimento passará. Assim, permanecem agora estes três: a fé, a esperança e o amor (ágape). O maior deles, porém, é o amor (ágape)” (1 Coríntios 13:8;13).

Paulo afirma que as profecias, línguas dos homens e dos anjos e também todo o conhecimento passarão. Isto não quer dizer que não são importantes, mas não são o principal. O que é eterno e nunca acaba é o ágape; pois Deus é ágape. Romper com os limites da imaturidade é romper com o amor eros e mergulhar no ágape. O cristão maduro é aquele que não esquece de fazer do mais importante, o mais importante. E o mais importante é o ágape.