Palavra Conecta // 23 de Fevereiro 2019

O coração do Evangelho

(1 Coríntios15)

 

Na última terça-feira às 01:46 da manhã, Ricardo Boaventura nos deixou. Com sua partida, vem algumas perguntas que nos afligem. Essas perguntas são: e agora? Ele foi para onde? O que acontece com quem morre? São algumas perguntas que nos veem à mente neste momento. Infelizmente a morte não é uma assunto muito falado nossos dias, mas o homem mais sábio da história, Salomão, já falava sobre isso. “É melhor ir a uma casa onde há luto do que a uma casa em festa, pois a morte é o destino de todos; os vivos devem levar isso a sério!” (Eclesiastes 7:2). Salomão afirma que devemos levar a morte a sério, pois um dia todos nós vamos no deparar com ela.

O capítulo quinze da carta de Paulo à igreja em Corinto, é a mais espetacular defesa sobre a ressurreição. Paulo escreve o capítulo 15 para responder a doutrina que estava entrando na igreja de que os mortos não ressuscitam. “Ora, se está sendo pregado que Cristo ressuscitou dentre os mortos, como alguns de vocês estão dizendo que não existe ressurreição dos mortos?” (1 Coríntios 15:12). Os cristãos de Corinto acreditavam na ressurreição de Cristo. No entanto, alguns tinham dificuldade em aceitar e compreender a ressurreição dos cristãos. Esta confusão era muito influenciada pela filosofia grega e religiões pagãs. O dogma básico de grande parte da filosofia grega era o dualismo, que ensinava que todas as coisas físicas eram de maneira essencial má; assim a ideia de um corpo glorificado era repugnante.

 

Se não há ressurreição, somos completos idiotas

 

Se não há ressurreição dos mortos, então nem mesmo Cristo ressuscitou;
e, se Cristo não ressuscitou, é inútil a nossa pregação, como também é inútil a fé que vocês
têm. Pois, se os mortos não ressuscitam, nem mesmo Cristo ressuscitou. E, se Cristo não ressuscitou, inútil é a fé que vocês têm, e ainda estão em seus pecados. Se é somente para esta vida que temos esperança em Cristo, dentre todos os homens somos os mais dignos de compaixão. Se os mortos não ressuscitam, “comamos e bebamos, porque amanhã morreremos”. Não se deixem enganar: “as más companhias corrompem os bons costumes”.

(1 Coríntios 15:13,14;16,17;19;32,33).

    Paulo neste momento, afirma que se não há ressurreição dos mortos, então Cristo não ressuscitou, e tudo que eu tenho feito neste quase 28 anos servindo a Deus foi em vão. Todas as vezes que dediquei meu tempo para leitura da Sua palavra foi inútil. Todos estes anos que tenho acordado mais cedo para orar foram completamente inúteis. Todas as vezes que você foi e veio no Conecta, faça chuva ou sol, fez de você um tremendo idiota. Se tudo o que fazemos nesta vida, se resume a esta vida, somos dignos de compaixão. É dentro deste contexto, que Paulo afirma que não devemos andar com pessoas que não acreditam na ressurreição de mortos. Paulo afirma que estes vivem para comer e beber, ou seja ter prazer. Por isso, tem tantos jovens adolescentes que só querem curtir a vida. Pois a morte não faz parte do seu contexto de vida. Se não há ressurreição, “vamos aproveitar a vida”. Infelizmente a maioria das pessoas vivem assim, sem pensar na morte, inclusive os evangélicos.

 

O coração do evangelho

 

Pois o que primeiramente lhes transmiti foi o que recebi: que Cristo morreu pelos nossos pecados, segundo as Escrituras, foi sepultado e ressuscitou ao terceiro dia, segundo as Escrituras,
e apareceu a Pedro e depois aos Doze. Depois disso apareceu a mais de quinhentos irmãos de uma só vez, a maioria dos quais ainda vive, embora alguns já tenham adormecido. Depois apareceu a Tiago e, então, a todos os apóstolos; depois destes apareceu também a mim, como a um que nasceu fora de tempo” (1 Coríntios 15:3-8).

A ressurreição do Senhor Jesus não é uma doutrina que possa ou precise “demonstrar” a partir das Escrituras. Ela é a mensagem de uma realidade que foi “vista” e por isso pode ser testemunhada. Paulo prova a ressurreição de Jesus, pelos testemunho dos apóstolos, pelas testemunhas oculares e por último por ele mesmo. Todos viram Jesus ressuscitado. Sua ressurreição, assim como sua morte por nossos pecados, simplesmente são fatos. Aconteceu algo que transformou completamente a situação entre Deus e os humanos. Não foram ideias e opiniões sobre Deus que mudaram, mas o incrível peso da culpa da humanidade e da minha culpa foi anulado. A morte de Jesus e sua ressurreição são o coração do evangelho.

 

Se Cristo ressuscitou, eu também ressuscitarei um dia

 

Irmãos, eu lhes declaro que carne e sangue não podem herdar o Reino de Deus, nem o que é perecível pode herdar o imperecível. Eis que eu lhes digo um mistério: nem todos dormiremos, mas todos seremos transformados, num momento, num abrir e fechar de olhos, ao som da última trombeta. Pois a trombeta soará, os mortos ressuscitarão incorruptíveis e nós seremos transformados” (1 Coríntios 15:50-52).

A vida na ressurreição não é continuação da existência terrena para todo o sempre. Não existe a preservação de hábitos de vida terrenos e confortáveis a que nos apegamos. A essa forma de existência bem egocêntrica e terrena Paulo chama de “carne e sangue”. Paulo não se refere apenas ao nosso corpo em si, embora também faça parte dela, mas a todo o nosso ser atual, incluindo nosso pensar e nossa espiritualidade. Essa nossa natureza egocêntrica por demais conhecida não tem lugar para onde Deus governa e é “tudo em tudo”. Por sua característica ela “não pode” herdar o Reino de Deus. Receberemos de nosso Senhor um corpo glorificado, sem dor, sem tristeza, cheios do perfeito amor.

 

O Ricardo sabia disso

 

Portanto, meus amados irmãos, mantenham-se firmes, e que nada os abale. Sejam sempre dedicados à obra do Senhor, pois vocês sabem que, no Senhor, o trabalho de vocês não será inútil” (1 Coríntios 15:58).

Entendendo que o coração do evangelho é a morte e a ressurreição de Jesus e que, nós também ressuscitaremos em Cristo um dia, devemos nos dedicar completamente ao Senhor.

O Ricardo chegou na igreja a primeira vez afim de “pegar” uma menina. Ricardo veio de uma vida devassa de bebidas, drogas e mulheres. Mas um dia, ele encontrou O Jesus ressuscitado e imediatamente decidiu viver integramente para o Senhor. Ricardo casou com a Grazy e juntos, tiveram um filho lindo chamado Davi. Há mais ou menos 8 anos, Ricardo por sofrer de um problema no coração, passou a conviver com idas e vindas constantes ao hospital. Neste meio tempo, teve cirurgia de marca passo, seus rins pararam e teve de conviver com a diálise. Nos últimos 4 anos, Ricardo conviveu com uma bactéria que ia e voltava com frequência. Ricardo nos últimos anos conviveu com constantes dores ao ponto de nem a morfina aliviar mais. Ricardo conviveu com constantes noites sem dormir por causa das dores. Mas Ricardo nunca desanimou. Ricardo nunca se abalou, pois Ricardo sabia da ressurreição. Paulo fala que sabendo da ressurreição, devemos nos manter firmes e nada deve nos abalar. Eu sou testemunha de todos estes anos convivendo com ele. Ricardo nunca se abalou e sempre se dedicou na obra do Senhor. Nunca vi o Ricardo fazer corpo mole em absolutamente nada relacionado as coisas espirituais. Ricardo foi um exemplo. Sua célula era feita na sua casa. Por muitas vezes, ele ficava deitado pois não aguentava de dor. Mas nunca desanimou. Ricardo frutificou. Ricardo junto com sua esposa além de multiplicarem as células que estavam sobre sua responsabilidade , revolucionaram o louvor do Conecta. Depois que Ricardo e Grazy assumiram o louvor do Conecta, revolucionaram e multiplicaram. Por tudo isso, a promessa do Senhor é que todo o trabalho do Ricardo não foi inútil. Ele terá a recompensa.

“Senhor, muito obrigado pela vida do Ricardo. Muito obrigado pelo testemunho de vida que ele foi enquanto esteve aqui na terra. E não deixe que o exemplo dele se perca, mas que possa contagiar  a muitos a começar pela minha vida, em nome de Jesus. Amém!”

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