Palavra Culto Domingo // 13 de Janeiro 2019

A MENTE DO SERVO

(Marcos 9:33-37)

 

 

Domingo passado, o Edson abordou as oitos atitudes do amor. Atitudes estas que só pode exercer quem nasceu de novo em Cristo Jesus. Uma das maneiras mais fortes de se demonstrar amor é servindo as pessoas, especialmente os menos favorecidos. Amar e servir são qualidades daqueles que já nasceram de novo em Cristo Jesus e tiveram suas mentes renovadas.

O texto do evangelho de Marcos vai nos ensinar muito sobre este assunto de servir. Marcos apresenta Jesus como o servo sofredor de Deus (Marcos 10:45). Seu foco está mais nos feitos de Jesus do que seus ensinos, enfatizando particularmente o serviço e o sacrifício.

A primeira coisa que devemos saber é: quem foi este Marcos que escreveu o Evangelho? Marcos é oriundo de Jerusalém e na realidade se chamava João. Sua mãe Maria tinha uma casa em Jerusalém que disponibilizou para reuniões da igreja (Atos 12:12). Marcos foi apresentado a Paulo provavelmente pelo seu primo Barnabé (Cl 4:10) e foi levado como ajudante na primeira viagem missionária (Atos 13:5). Marcos era jovem e em sua primeira viagem fracassou, e por conta própria voltou para Jerusalém (Atos 13:13). Por isso, Paulo não quis levá-lo na segunda viagem (Atos 15: 37-38). A seriedade da rejeição de Paulo contra um menino jovem que fugiu diante das penúrias e dos perigos da missão, fez com que houvesse uma ruptura entre Paulo e Barnabé (Atos15:39). Porém a vacilação anterior de João Marcos deu lugar a uma força e maturidade muito grande. Até mesmo Paulo que não acreditava mais nele, citou Marcos como um companheiro de trabalho (Fm. 24). Mais tarde, Paulo disse a Timóteo: “Toma contigo Marcos e traze-o, pois me é útil para o ministério” (2Tm 4:11). Provavelmente a restauração de Marcos a um ministério de muita utilidade aconteceu por causa de Pedro. O relacionamento próximo de Pedro e Marcos fica evidente quando Pedro chama Marcos de filho (1Pedro 5:13). Por causa desta proximidade, alguns teólogos chamam o evangelho de Marcos como “as memórias de Pedro”.  Eu e você estamos lendo o evangelho de Jesus escrito por alguém que fracassou em sua primeira missão, mas foi restaurado e muito usado por Deus.

 

E chegaram a Cafarnaum. Quando ele estava em casa, perguntou-lhes: “O que vocês estavam discutindo no caminho? ” Mas eles guardaram silêncio, porque no caminho haviam discutido sobre quem era o maior” (Marcos 9:33,34).

A casa onde os discípulos estavam, provavelmente era de Pedro. Antes de chegar em casa, houve uma discussão para saber quem era o maior. E minha pergunta é: por que eles estavam discutindo sobre este assunto? Alguma coisa aconteceu antes para que este assunto viesse à tona. A resposta está nos versículos 2 a 8 do mesmo capítulo de Marcos. Marcos relata que Jesus levou Pedro, Tiago e João para o monte orar e lá apareceu Elias e Moisés. Além disso, Jesus foi transfigurado, ou seja, ele mudou a sua aparência. Suas roupas ficaram muito brancas e seu rosto brilhava. Uma nuvem veio e no meio da nuvem uma voz que dizia: “Esse é meu Filho amado, ouçam-no!” (Marcos 9:7). Pense como deve ter ficado Pedro, Tiago e João. Que experiência! O problema foi que esta experiência fez com que o orgulho entrasse no coração dos discípulos ao ponto de discutirem quem era o mais importante. Sempre que os discípulos se empolgavam com manifestações sobrenaturais, Jesus fez questão de trazê-los para o centro da mensagem do Reino. Foi assim quando enviou os setenta. Coisa sobrenaturais aconteceram, e por isso, todos voltaram muito empolgados. Jesus não os censurou, mas trouxe para o centro do evangelho. “Contudo, alegrem-se, não porque os espíritos se submetem a vocês, mas porque seus nomes estão escritos nos céus” (Lucas 10:20). Muitos cristãos dão total ênfase de suas vidas aos sinais e prodígios. Por isso, esquecem de viver a cultura do Reino de Deus.

 

Assentando-se, Jesus chamou os Doze e disse: “Se alguém quiser ser o primeiro, será o último, e servo de todos” (Marcos 9:35).

 

Assim como Jesus fez em Lucas 10, ele usa a discussão que os discípulos tiveram para fortalecer um ensinamento muito importante. Na aula de Jesus o tema foi: quem é o mais importante no Reino do céu?  Segundo Jesus, o primeiro ou mais importante no Reino de Deus deve ser o último e servo de todos. O conceito de grandeza e liderança dos discípulos, obtidos em sua própria cultura, precisava ser totalmente invertido. Os grandes no reino de Deus não são aqueles que impõe a sua posição aos outros, mas aqueles que humildemente servem a TODOS.

 

E, tomando uma criança, colocou-a no meio deles. Pegando-a nos braços, disse-lhes: “Quem recebe uma destas crianças em meu nome, está me recebendo; e quem me recebe, não está apenas me recebendo, mas também àquele que me enviou” (Marcos 9:36,37).

          Jesus para explicar melhor o seu ensinamento, usa uma criança como exemplo. A criança seria uma criança de colo. A criança fora da idade escolar e da possibilidade de educação, era tida como sem importância. Muito raramente um professor da lei “perdia” seu tempo com as crianças. A pessoa “espiritual” também desprezava os pequenos. A criança pequena representa os esquecidos, não notados ou excluídos que, por algum motivo, parece não serem levados em consideração por nós.

Como podemos saber se uma comunidade tem a cultura de servir? Simples, dê uma olhada no ministério de crianças. Se ele estiver suprido com fila de espera, este é um sinal claro de que esta comunidade vive a cultura do servir. A mente do servo está sempre voltada para servir os menos favorecidos; servir aqueles que não trazem holofotes para este mundo, mas atrai o favor de Deus. Infelizmente a realidade é muito diferente. Poucos são os que querem servir as crianças, pois não podem perder o “culto”.

De acordo com o pensamento judaico, aproveita a presença de Deus, aquele que recebeu um professor da lei muito honrado como hóspede. Jesus inverte tudo isso: é exatamente no menos importante que O mais Importante está conosco.

Servindo as crianças e toda a comunidade, vamos experimentar o que era o centro da mensagem de Jesus, que Deus mora e reina entre as pessoas. Amém!