Palavra Culto Domingo // 06 de outubro

A VERDADEIRA ADORAÇÃO

 

Jesus disse que existem os verdadeiros adoradores. Se Ele disse isso é porque existem os falsos adoradores e a falsa adoração. Então, qual é a verdadeira adoração? Segundo Jesus, os verdadeiros adoradores adoram o Pai em espírito e em verdade (João 4:23). Portanto, a verdadeira adoração é aquela que tem essência, e a essência da adoração é a rendição. A Bíblia diz: “… Entreguem-se completamente a Deus, para que ele use vocês a fim de fazerem o que é direito” (Romanos 6:13 – NTLH).

“Rendição” não é uma palavra apreciada ou bem vista, especialmente em nossos dias. Ela passa a ideia de perda e desistência. Quando um soldado se rende, ele está se entregando, em vez de lutar. Num tempo em que o coaching está na moda e os discursos motivacionais de autoajuda dominam o mercado de palestras, somos encorajados a acreditar na auto superação. Frases de efeito vão moldando a nossa mente, por isso, quando ouvimos sobre rendição, isso não nos soa bem. Vivemos numa civilização competitiva, portanto vencer é tudo, rendição é inconcebível. Render-se é para os fracos.

A verdadeira adoração consiste em oferecer-se a Deus (Romanos 12:1). Trata-se de uma entrega total, e não parcial. Existem três barreiras que impedem nossa total rendição a Deus:

Medo. A confiança é um ingrediente essencial para que você se renda. Quanto mais conhecemos uma pessoa, mais confiamos nela! O medo impede que nos rendamos a Deus, mas a Bíblia diz: “No amor não há medo; ao contrário o perfeito amor expulsa o medo…” (I João 4:18). Quanto mais nos damos conta do quanto Deus nos ama, mais fácil será nos render.

Como saber que Deus me ama? Muitos procuram provas do amor de Deus correndo atrás de milagres e experiências sobrenaturais. Por isso são inconstantes na fé, pois movem-se por circunstâncias. Mas a Bíblia diz: “… Deus demonstra o seu amor por nós: Cristo morreu em nosso favor quando ainda éramos pecadores” (Romanos 5:8). Ele nos amou incondicionalmente. A cruz já é prova suficiente do Seu amor!

Se creio no amor dEle, sei que Ele tem sempre o melhor para mim. Sei que Ele não é um ditador, opressor, que exige obediência à força. Assim, eu me rendo voluntária e prazerosamente, em resposta ao amor dEle por mim. Isso vai além de crer no Seu poder, é confiar em Seu caráter amoroso, misericordioso, bondoso, compassivo…

Orgulho. Uma segunda barreira para a rendição é o nosso orgulho. Não queremos sair do controle da nossa vida, admitindo que somos apenas criaturas. Esta é a mais antiga das tentações: “… E, vocês, como Deus, serão conhecedores do bem e do mal” (Gênesis 3:5). É o desejo de ter o controle completo. A essência de nossas crises existenciais é que queremos ser Deus! Quando nos rendemos, nos tornamos mais parecidos com Jesus; mas quando tentamos ser Deus, acabamos mais parecidos com Satanás, que quis a mesma coisa!

O fato é que aceitamos nossa humanidade intelectualmente, mas não emocionalmente. E isso se prova quando, diante de nossas limitações, reagimos com irritação, raiva e ressentimentos. Mas, na verdade, nossas limitações são as chaves para nos levar a depender de Deus – “… Pois o meu poder se aperfeiçoa na fraqueza” (I Coríntios 12:9). Por isso, Paulo disse: “Pois, quando sou fraco é que sou forte” (12:10). Quanto mais admitimos nossa humanidade e aceitamos que não somos Deus, mais rendidos e mais adoradores nos tornamos!

Falta de compreensão. Render-se a Deus não é resignação passiva, fatalismo ou desculpa para a preguiça; mas é exatamente o oposto: sacrificar a vida ou sofrer, a fim de mudar o que precisa ser mudado. Render-se não é para covardes ou subservientes. Do mesmo modo não é desistir do raciocínio lógico, não é abrir mão da individualidade, nem negar a sua personalidade ou mesmo seu temperamento. Deus não desperdiçaria a mente que lhe concedeu. Deus não quer ser servido por robôs. Ele quer utilizar sua personalidade singular.

A rendição se manifesta mais claramente na obediência. Após uma noite de fracassos na pescaria, Pedro foi um exemplo de rendição quando Jesus lhe mandou tentar novamente (Lucas 5:5). Pessoas que se entregam Cristo obedecem a palavra de Deus mesmo que ela não faça sentido. Isso é rendição, isso é adoração!

Outro aspecto da rendição é a total confiança (Salmo 37:7). Você sabe que se rendeu a Deus quando depende dEle para resolver as coisas, em vez de insistir em manipular outras pessoas e controlar a situação; quando não reage à críticas ou não tem o ímpeto de defender-se. Coração entregue a Deus se destaca em relacionamentos, não pressiona os outros, não exige seus direitos nem é egoísta.

Render-se a Deus não é a melhor maneira de viver, mas a única maneira. Render a vida não é um tolo impulso emocional, mas um ato inteligente e racional, a atitude mais responsável e inteligente que você pode tomar (Romanos 12:1).