Palavra Culto Domingo // 09 de dezembro

A MISSÃO EDUCACIONAL DA IGREJA

Frequentemente por questões culturais, pensamos que à Igreja compete apenas a responsabilidade sobre a “escola dominical”, a escolinha dos cultos ou como é o nosso caso, as atividades desenvolvidas pelo ministério infantil. Porém, o mandato cultural que recebemos do Senhor vai muito, além disso. Compreender essa revelação é fundamental para que tenhamos uma renovação da nossa mente, como nos adverte a palavra “Não se amoldem ao padrão deste mundo, mas transformem-se pela renovação da sua mente, para que sejam capazes de experimentar e comprovar a boa, agradável e perfeita vontade de Deus” (Romanos 12.2).

Renovar a mente requer da pessoa a disposição de ler e estudar a Bíblia, porque nela encontramos coisas novas e coisas antigas. Foi isso que Jesus afirmou, depois de contar uma série de parábolas: “Jesus disse: – Pois isso quer dizer que todo mestre da Lei que se torna discípulo no Reino do Céu é como um pai de família que tira do seu depósito coisas novas e coisas velhas” (Mateus 13.52). Logo, a renovação da mente se faz a partir da Palavra de Deus, dando um sentido novo ao antigo e adquirindo novos conhecimentos necessários a uma vida melhor.

A MISSÃO

Falamos muito sobre a palavra missão, e logo associamos a missão, ao chamado que recebemos de Deus. Porém a palavra missão tem origem militar, em sua definição inicial ela remete a alguém com autoridade que dá uma “Incumbência, uma ordem para que alguém seja enviado, que deve executar a pedido ou por ordem de outrem; um conjunto de pessoas a que se confere uma tarefa”.  Olhando para essa perspectiva, a ideia inicial do chamado que temos acerca dessa palavra muda um pouco, porque não foi um chamado, mas uma ordem que Jesus nos deu. Vamos analisar o texto que passou a ser conhecido como a Grande Comissão. “E, chegando-se Jesus, falou-lhes, dizendo:  É me dado todo o poder no céu e na terra. Portanto ide, fazei discípulos de todas as nações, batizando-os em nome do Pai, do Filho, e do Espírito Santo; Ensinando-os a guardar todas as coisas que eu vos tenho mandado; e eis que eu estou convosco todos os dias, até a consumação dos séculos. Amém (Mateus 28:19-20).

Jesus deu esse comando aos Apóstolos logo depois de ascender aos céus. Esse comando praticamente resume o que Jesus esperava que os Apóstolos e Seus seguidores depois dos Apóstolos, fizessem em Sua “ausência”.  É interessante notar que no grego original, os únicos comandos específicos em Mateus 28:19-20 são: “ide” e “fazei discípulos”. A Grande Comissão nos instrui a fazer discípulos enquanto viajamos, enquanto realizamos nossas atividades diárias, quando estamos no trabalho, na escola.  E como devemos fazer discípulos? Ao batizá-los e ensiná-los tudo que Jesus comandou. “Ide” e “fazei discípulos” são os comandos da Grande Comissão. “Batizando” e “ensinando” são a forma que devemos usar para executar o comando.

AS TRÊS INSTITUIÇÕES DIVINAS: A FAMÍLIA, A IGREJA E O GOVERNO CIVIL

Na medida em que se estuda a Palavra de Deus, pode-se observar que Deus estabelece diferentes “instituições” ou veículos básicos, para manifestar Sua palavra. Cada instituição tem suas responsabilidades específicas de serviço, e cada uma é chamada a realizá-las em respeito a Deus e à Sua Palavra. Na proporção que cada instituição se desvia de seu propósito e responsabilidade originais, haverá o mesmo grau de desequilíbrio e, subsequentemente, pressão excessiva sobre as outras instituições designadas a funcionar em harmonia uma com a outra. Estas instituições, como veículo do governo de Deus, são designadas para expressar o Reino de Deus sobre a terra numa certa localidade, para que o mundo possa ver como será quando Jesus reinar nos corações dos homens. Essas instituições são:

  1. a) A Família – Primeira instituição a ser estabelecida e designada a fim de manifestar, em primeiro lugar, o governo de Deus (Gênesis 2:21-24);
  2. b) A Igreja – Comunidade redimida da aliança mencionada nas Escrituras como a Noiva de Cristo, ou o Corpo de Cristo;
  3. c) O Governo Civil – Instituição designada para executar a justiça e as leis de Deus (Romanos 13:1-4)

E A ESCOLA? 

Como vimos tudo que se refere a ensino e verdades, a Bíblia sempre aponta para família e igreja como instituições responsáveis pelo ensino e aprendizagem. Quando pensamos no ensino formal, com fundamentos cristãos, temos que recuperar o conceito de “autoridade delegada”. Os pais delegam, por determinado tempo a autoridade de ensino à escola ou igreja através dos professores, mas continuam sendo responsáveis pelo que é ensinado a seus filhos.

VISÃO CRISTÃ DA CRIANÇA, ADOLESCENTE E JOVEM

Jesus é o modelo de crescimento necessário para o ensino e aprendizagem saudável. “E crescia Jesus em estatura, sabedoria e graça, diante de Deus e dos homens” (Lucas 2:52).  A maneira como vemos a criança determina que tipo de relacionamento teremos com ela. O exemplo que Jesus nos deu foi assim “E traziam-lhe meninos para que lhes tocasse, mas os discípulos repreendiam aos que lhes traziam. Jesus, porém, vendo isto, indignou-se, e disse-lhes: Deixai vir os meninos a mim, e não os impeçais; porque dos tais é o reino de Deus. Em verdade vos digo que qualquer que não receber o reino de Deus como menino, de maneira nenhuma entrará nele. E, tomando-os nos seus braços, e impondo-lhes as mãos, os abençoou.” (Marcos 10:13-16)

DE QUE TIPO DE EDUCAÇÃO CRISTÃ ESTAMOS FALANDO?

            “Toda Escritura é divinamente inspirada e proveitosa para ensinar, para repreender, para corrigir, para instruir em justiça; para que o homem de Deus seja perfeito, e perfeitamente preparado para toda boa obra” (2 Timóteo 3:16-17). Para a AEP (Abordagem Educacional por Princípios), a Bíblia é o nosso texto central, é o fundamento supremo de toda a concepção da educação cristã e de todo processo de ensino e aprendizagem. A Abordagem Educacional por Princípios propõe um retorno ao método histórico clássico de educação, fundamentado em princípios e na prática historicamente consagrada. Ela busca o desenvolvimento da pessoa e seus dons à luz da perspectiva cristã da vida, da realidade, do mundo e do homem.  Apresenta o desenvolvimento de um currículo – de curriculum que significa pista de corrida – e um programa educacional onde as disciplinas e atividades reflitam explicitamente a mentalidade cristã. Na prática, é ensinar ciências, história, matemática, filosofia, entre outras disciplinas a partir dos pressupostos cristãos.  Com o método dos 4 passos – Pesquisar – Relacionar, Raciocinar e Registrar ela desenvolve o pensamento reflexivo, investigativo, criativo e produtor de textos próprios.

POR QUE INVESTIR NA EDUCAÇÃO POR PRINCÍPIOS

 

Observamos que na Grande Comissão, “fazei discípulos de todas as nações”. O discipulado envolve o desenvolvimento espiritual, intelectual, a formação de uma mentalidade cristã, o desenvolvimento das aptidões naturais. Tudo isto deve ser feito desde cedo, com as crianças, a começar da escola. Assim, a Educação por Princípios faz parte da comissão para discipularmos todas as nações.  Deus confiou a Educação como um ministério da Igreja local. Não é algo para o Colégio, ou os programas sociais (PEPE E PEVI) que temos. Mas é algo da Igreja, que pertence a todos que a constituem. Deus colocou você nesse projeto, você faz parte. Ele escolheu nos dar capacitação e graça para exercer influência nesse meio. Lembre-se disso, se somos um corpo, então esse desafio é nosso!

 

Adriana L Moreira

Mestre em Ciências da Educação – Diretora Geral Colégio Shalom