Palavra Culto Domingo // 09 de setembro

O VOTO CRISTÃO E A POLÍTICA

 

INTRODUÇÃO

Vivemos num tempo de grande instabilidade política. Há um descrédito generalizado e uma consequente revolta da população em relação à classe política por conta dos desmandos, corrupção, fraudes e incompetência dos que administram nossa nação.

A situação atual da economia brasileira é preocupante. O endividamento do estado já passa de 70% do PIB, ou seja, mais de cinco trilhões de reais. O déficit primário chega a 140 bilhões de reais. Nos últimos anos 13.400 empresas fecharam suas portas; 77 multinacionais deixaram o país nos últimos 24 meses; 242 empresas deixaram o país nos últimos cinco anos. O Brasil, atualmente, é o sétimo país do mundo com maior número de emigrantes classe A; são pessoas com patrimônio acima de um milhão. Ou seja, o dinheiro está indo embora. A situação da segurança pública dispensa comentários quando sabemos que o número de homicídios aqui é maior do que em países em guerra, como a Síria. A saúde pública sofre com a falta de médicos e a ineficiência do SUS. No ranking da qualidade da educação o Brasil aparece em penúltima posição entre 40 países pesquisados, segundo estatística de 2017. E assim por diante…

Em meio a tudo isso estamos nós, os filhos de Deus, cristãos, seguidores de Jesus de Nazaré. Somos cidadãos do céu, mas, ao mesmo tempo, estamos na terra e temos uma tarefa a cumprir enquanto por aqui passamos. Portanto, não podemos ser alienados, alheios ao que está acontecendo bem debaixo do nosso nariz.

 

O CRISTÃO E A CIDADANIA

Muitos cristãos se omitem diante da política argumentando que Deus é soberano e, portanto, nenhuma autoridade há que não venha dEle, conforme Romanos 13:1 – “Todos devem sujeitar-se às autoridades governamentais, pois não há autoridade que não venha de Deus; as autoridades que existem foram por ele estabelecidas” . É verdade que Deus está no controle de tudo, mas o texto não diz para sermos passivos e omissos. Deus sempre usa pessoas para cumprir os Seus propósitos! Nos tempos bíblicos o povo não tinha voz; a monarquia era a prática dos regimes de governo. Hoje, vivemos uma democracia, um regime onde o povo é chamado a participar da escolha de seus governantes.

Se nos é dada essa oportunidade de participar, significa que temos uma responsabilidade a exercer. Se nos omitirmos, certamente responderemos perante Deus. Escolher os governantes é exercer não só o direito, mas, principalmente, o dever social.

“Cidadania” significa “o exercício dos direitos e deveres civis, políticos e sociais”. Muitos usam o argumento de Filipenses 3:20 para justificarem sua alienação política – “A nossa cidadania, porém, está nos céus, de onde esperamos ansiosamente o Salvador, o Senhor Jesus Cristo”. Usar esse argumento é distorcer o texto. O fato de sermos cidadãos do céu não significa que não somos cidadãos deste mundo. Na verdade, por enquanto, temos “dupla cidadania”. O que Paulo estava dizendo é que não devemos colocar nossa expectativa de realização da vida no sistema deste mundo corrompido, pois no contexto ele se refere a pessoas que vivem para si mesmas e só pensam nas coisas terrenas. O mesmo apóstolo escreve na mesma carta: “Não importa o que aconteça, exerçam a sua cidadania de maneira digna do evangelho de Cristo” (Filipenses 1:27).

Portanto, o exercício da cidadania é responsabilidade do cristão, e ele deve fazê-lo de acordo com o evangelho, ou seja, com a postura do próprio Cristo que vive nele. O que Jesus faria? Quem Ele escolheria para governar? Deus nos deu a liberdade de escolha em todos os aspectos da vida. Qual o critério que um cristão usa para fazer escolhas certas? É dessa maneira que ele agirá em relação à escolha de seus governantes.

 

Qual o critério para uma melhor escolha?

Todo cristão segue um critério em suas decisões da vida: princípios determinam valores, valores determinam as escolhas. Todo princípio nasce em Deus. Por que? Porque Ele é o Criador, o único que pode principiar, estabelecer leis e padrões. O ser humano não pode estabelecer princípios pelo simples fato de que ele não é criador, é criatura. Portanto, toda a pretensão humana em formar paradigmas de pensamento e comportamento sempre foi e sempre será frustrada. Serão falsos princípios. Assim sendo, quem não teme a Deus fará escolhas baseadas em suas próprias ideias, ou seja, suas escolhas não terão bases e, mais cedo ou mais tarde, a casa cai.

Onde estão revelados os princípios? Na Bíblia, a palavra de Deus. Por isso Jesus Se torna nossa referência, porquanto Ele é a palavra que Se fez carne (João 1:14). É óbvio, portanto, que um cristão não escolherá para seu governante alguém que não considera a Deus e Seus princípios. Seus valores são construídos em princípios; como cometeria  estupidez de agir contra os seus valores? Por outro lado, ele tem a claríssima consciência de que sua expectativa não está na política, muito menos nos governantes, em sua maioria sedentos de poder e dinheiro e comprometidos com ideologias malignas.

Mas, então, porque o cristão escolhe governantes tementes a Deus? Porque ele quer impor seus padrões de pensamento e comportamento cristão a toda a sociedade? Bom, se fosse assim, já não seria mais cristão, pois Cristo nunca impôs coisa alguma. O cristão assim age porque quer o melhor para a coletividade. Ele sabe que quebrar princípios traz consequências trágicas a qualquer um. O mal que não quer para si, não quer para ninguém. O cristão entende “Como é feliz a nação que tem o Senhor como Deus, o povo que ele escolheu para lhe pertencer” (Salmos 33:12)

 

O cidadão cristão não busca interesses particulares

Nessa mesma linha de pensamento deve agir um cristão que ocupa um cargo público, seja governando, legislando ou julgando. Seu objetivo é servir a sociedade como um todo, e não privilegiar cristãos, como também qualquer outro segmento da sociedade. Ele é um representante de todos, e não de alguns. Os políticos eleitos são servidores públicos que devem prestar contas de suas atividades à sociedade, pois são remunerados pelos impostos. Nenhum deles tem o direito de fazer o que quiser, buscar privilégios, legislar em causa própria ou partidária. Eles devem buscar o bem comum.

Por isso, quando um cristão escolhe um candidato, ele não o fará com o foco em si mesmo, mas naquilo que traz benefício à coletividade. E o servidor público cristão que ocupa um cargo eleito pelo povo, não privilegia cristãos, nem usa sua influência política para tratar de maneira diferenciada alguns; ele é ético, e faz o que é correto fazer com todos, sem distinção de classe, religião, raça, etc.

 

VOTO CONSCIENTE É VOTO COERENTE

Bem, se um cristão vota de acordo com seus valores, então seria totalmente incoerente escolher ou mesmo apoiar candidatos ou partidos que tenham como fundamento ideologias calcadas no ateísmo. Como um cristão votaria em pessoas participantes de movimentos que defendem de forma escancarada a desconstrução dos valores cristãos? Como um cristão votaria em partidos que tenham suas ideologias baseadas em pressupostos filosóficos e ideológicos de pensadores e teóricos ateus, se a Bíblia nos ensina que devemos exercer nossa cidadania de maneira digna do evangelho de Cristo? Se não pudéssemos escolher, como nos tempos do Novo Testamento, seria outra coisa. Mas, se temos a oportunidade de escolher, como escolheremos alguém que anda na contramão da cultura do Reino de Deus?

É totalmente incoerente do ponto de vista cristão dar crédito a alguém que não considera o aspecto espiritual do ser humano, mas o concebe como mero animal. Um verdadeiro cristão não basearia suas escolhas em conceitos criados por mentes formatadas no ateísmo, pois tem a mente de Cristo. A Bíblia diz: “Diz o tolo em seu coração: Deus não existe! Corromperam-se e cometeram injustiças detestáveis; não há ninguém que faça o bem” (Salmos 53:1). Não faz sentido uma pessoa temente a Deus dar crédito a alguém que não acredita nEle. Daria ouvidos a um tolo? Tolos não fazem o bem, pelo contrário “… corromperam-se e cometeram injustiças detestáveis”. É verdade que crentes em Deus também podem fazer coisas detestáveis, mas isso jamais seria argumento que justifique dar crédito a alguém declaradamente contrário a Deus, ou mesmo descrente. Ele é um tolo!

 

Como pensa um cristão

Existem duas maneiras de se pensar e raciocinar: por princípios e pelo relativismo. O relativismo é antagônico ao evangelho, porque não admite o absoluto. Deus é absoluto, e Suas verdades não mudam. A cosmovisão dos cristãos é por princípios, por isso são chamados de fundamentalistas. Este termo, no entanto, não define os verdadeiros cristãos, pois pressupõe uma militância, e militância é imposição, intolerância, é tomar à força, o que nada tem a ver com Cristo! Não somos fundamentalistas, somos pessoas de princípios, que pensam, agem, falam e se comportam sempre pela lente dos princípios estabelecidos por Deus; porém, nunca de maneira impositiva, institucionalizada, mas com a prática do amor, que implica em firmeza (convicção) e ao mesmo tempo delicadeza (respeito).

Uma verdade sempre será absoluta, assim como dois mais dois sempre serão quatro. Porém, o relativismo admite que o que é verdade para um pode não ser verdade para outro, tudo depende do ponto de vista. O pensamento pós-moderno é essencialmente relativista. Mas, o evangelho diz, nas palavras do próprio Cristo, que há uma só verdade – Ele mesmo. E, ao conhecermos essa verdade, seremos libertos da tirania do sistema deste mundo que nos faz escravos da vontade própria e destrói o real propósito da vida. Então, como poderia um cristão admitir o relativismo dando ouvidos a pensadores, filósofos, e escritores com tais ideias? O relativismo faz da verdade uma mentira e da mentira uma verdade, porquanto baseia-se na completa descrença em um Deus criador, que determinou princípios à criação. A lógica, portanto, é: se não há criador, não há princípios; nós podemos ditar as regras, que é não ter regras. Não será por isso que, desde a educação infantil as crianças são ensinadas sobre o evolucionismo como verdade, sendo que esta é uma das teorias mais refutadas entre os cientistas? Se o Dono da razão, o Absoluto, é tirado de cena, o que sobra? Nada! Tal ideia desencadeia um absurdo ainda maior, pois ensina-se que o nada criou tudo! Esse é o pensamento que impera nas escolas e meios acadêmicos.

O método de ensino construtivista, por exemplo, prevalente nas escolas do Brasil, consiste em…

“Considerar a construção do conhecimento em conjunto entre o professor e aluno, sendo que o professor é apenas um mediador do conhecimento que os alunos já têm em busca de novos conhecimentos. Para isso o professor deve criar condições para que o aluno vivencie situações e atividades interativas, nas quais ele próprio vai construir os saberes” (Fonte: Blog Inteligência Educação Socioemocional, artigo “O que é Método de Ensino construtivista?”).

Se o professor é apenas um facilitador e o aluno aprende sozinho, construindo por si mesmo o saber, que base terá esse ensino? Nenhum! Portanto, assim como se pensa que o mundo e toda a criação surgiram do nada, espera-se que os alunos construam o saber com base em nada. Mas, como pode uma casa sem fundamento prevalecer? Uma sociedade sem bases, que descrê no absoluto e se porta autossuficiente em relação a Deus, caminha para o iminente caos.

 

Relativismo é inversão de valores

O profeta Isaías já se referiu ao relativismo há centenas de anos antes de Cristo: “Ai dos que chamam ao mal bem e ao bem, mal, que fazem das trevas luz e da luz, trevas, do amargo, doce e do doce, amargo! Ai dos que são sábios aos seus próprios olhos e inteligentes em sua própria opinião” (Isaías 5:20-21). A exclamação “ai” está ligada à juízo. Ou seja, os que invertem os valores não ficarão sem suas trágicas consequências. Essa quebra de princípios, e consequente inversão de valores que se vê hoje, é a expressão da rebeldia contra Deus em sua forma mais escancarada. A Bíblia diz: “… Mas ai da terra e do mar, pois o Diabo desceu até vocês! Ele está cheio de fúria, pois sabe que lhe resta pouco tempo” (Apocalipse 12:12). Sabemos que se trata do sistema do anticristo, que só tem uma resistência: os autênticos cristãos!

Eis alguns exemplos do relativismo generalizado, onde o certo virou errado e o errado virou certo:

  • O país que mais sofreu sanções do comitê de direitos humanos da ONU foi Israel, a única democracia do Oriente Médio! Não foi nenhum país de regime totalitário de governo como Coréia do Norte, Cuba, China, ou algum dos vários países onde o terrorismo avança, onde há perseguição política e religiosa, confisco de bens, genocídios, etc.
  • No Brasil presos têm direito a auxílio reclusão, enquanto as famílias dos que foram vítimas dos crimes não têm qualquer apoio ou assistência do estado;
  • Até pouco tempo atrás um homem julgado, condenado e preso por corrupção, constava nas pesquisas de intenção de voto;
  • No Brasil um juiz que se posiciona com coragem e determinação no combate à corrupção é acusado de ser o vilão causador da crise econômica por sua atitude ter afetado os índices econômicos;
  • Juízes do STF que deveriam zelar pela justiça, soltam homens condenados e presos por corrupção;
  • Um avô aposentado com um salário de fome sofre ação na justiça perpetrada pela sua nora e tem R$ 400,00 descontado de seus proventos todos os meses como pensão alimentícia para o neto, pois seu filho não tem renda, porque é um irresponsável;
  • Policiais não podem reprimir bandidos. Se o fazem são acusados de assassinos;
  • Alunos que defendem a reflexão (pois a escola é o ambiente do debate) ao invés de se curvarem ao sistema de doutrinação ideológica e partidária em sala de aula, são perseguidos e considerados ignorantes;
  • O presidente colombiano Juan Manuel Santos ganhou o prêmio Nobel da paz em 2016 depois de fazer aliança com as FARC, uma força revolucionária, terrorista, financiada pelo narcotráfico que assassinou milhares de pessoas durante 50 anos.

 

O MARXISMO CULTURAL

Marx dizia que existe uma infra estrutura na sociedade que sustenta o resto da cultura de uma sociedade, que são as relações econômicas. Elas é que determinam a moral, as relações políticas, o direito da sociedade, o modelo de família, a religião, a arte, etc. Segundo ele, existe a classe dos capitalistas e a classe dos proletários. A ideia de Marx era promover o conflito entre eles, e assim, derrubando o modelo capitalista de produção, cairia toda a cultura ocidental (a moral burguesa, a arte burguesa, etc.). Marx focava, portanto, a sua teoria da sociedade no conflito entre as classes, que são agentes econômicos.

No século 20 um pensador chamado Antonio Gramsci deu uma nova roupagem ao marxismo, apenas invertendo a ordem entre a estrutura da sociedade e a cultura, mas preservando a proposta do marxismo. Ele entendeu que é a cultura (a moral, a arte, o modelo de família, a religião, o direito,…) que dá sustentação à economia capitalista. Então a esquerda moderna passou a gerar conflito, não mais entre os agentes econômicos, mas entre os agentes de cada um desses aspectos da cultura ocidental, na intenção de derrubar o modelo econômico capitalista. Por isso, quando a esquerda defende as minorias, ela não defende direitos individuais, mas está querendo promover micro conflitos para derrubar o sistema capitalista e implantar o socialismo.

 

A estratégia da esquerda

Os ativistas de esquerda têm usado a Declaração Universal dos Direitos Humanos como tática para promover essa luta das minorias, o conflito entre patrões e empregados, negros e brancos, homens e mulheres, heterossexuais e homossexuais, etc., na intenção de promover o socialismo no mundo.

O comunismo armado deu lugar ao comunismo cultural infiltrado há décadas nas universidades brasileiras. Porém, não só nas universidades, mas na cultura em geral, por meio da literatura, das novelas e da mídia em geral.

Existem, no entanto, os que negam a existência do marxismo cultural e ridicularizam essa ideia, taxando-a de teoria da conspiração. Obviamente são abordagens de militantes de esquerda, os quais afirmam que esta é uma estratégia discursiva utilizada predominantemente pela direita brasileira para anular as práticas opostas aos seus objetivos.

 

A postura mais adequada de um cristão

Bem, à nós, cristãos, não cabe a discussão no campo da filosofia ou da psicologia, ou das ciências políticas e sociais. Nosso campo de ação é espiritual. A Bíblia diz que nossa luta não é no campo fisico, contra seres humanos, mas é no campo espiritual (Efésios 6:12). É perda de tempo discutir temas espirituais com homens naturais, que não têm visão espiritual – “Quem não tem o Espírito não aceita as coisas que vêm do Espírito de Deus, pois lhe são loucura; e não é capaz de entendê-las, porque elas são discernidas espiritualmente. Mas quem é espiritual discerne todas as coisas, e ele mesmo por ninguém é discernido…” (I Coríntios 2:14-15).

O que devemos admitir é que existe, sim, um movimento anti Deus, e anticristo, no mundo inteiro, com a intenção de desconstruir os valores judaico-cristãos. Se é na intenção de implantar um socialismo ou o comunismo, não faz diferença. Se o marxismo cultural é ou não é teoria da conspiração, isso não muda o fato de que existe, sim, abertamente, uma intenção de desconstrução dos princípios e valores.

Todos os que defendem o conservadorismo são acusados de burgueses, opressores, capitalistas, fascistas, etc. Como se a única ideia aceitável fosse a de Marx e seus discípulos; como se o único pensamento inteligente fosse o que contraria a ideia da existência de um Deus criador e mantenedor de toda a criação, que estabeleceu parâmetros, limites morais e éticos à humanidade.

Portanto, a nós cristãos é inútil combater tais pensamentos no campo da filosofia. O homem espiritual não pode esperar discutir num nível de igualdade com o homem natural. O homem espiritual não pode esperar um comportamento espiritual de um homem natural.

O movimento anticristão penetrou nas escolas de forma profunda e absolutista, usando a tática do estado laico. Ao defender o estado laico, os adeptos desse movimento anticristão podem, de forma livre, introduzir suas ideias de evolucionismo e, portanto, ateísmo, desconstruindo todas as bases da sociedade que tem a família como célula principal.

Então, a questão não gira em torno de esquerda e direita, mas em torno do sistema do anticristo, que é impossível não se ver em todas as esferas da sociedade (educação, literatura, mídia, artes, política, etc.).

 

Resistir sim, impor nunca

Qual deve ser a postura do cristão diante dessas influências malignas? Exercer sua cidadania de modo digno do evangelho de Cristo (Filipenses 1:27). Como? Obviamente, vamos resistir. Não vamos aceitar essa imposição cultural, assim como os cristãos primitivos o fizeram. Eles não se amoldaram ao sistema da época, por isso foram perseguidos, torturados e mortos, mas resistiram; e, por causa da sua fé e perseverança, cresciam e se multiplicavam. E por que cresciam e se multiplicavam mesmo sem ter voz, sem lugar na política, sem prestígio na sociedade? Porque a proposta do evangelho, por si só é suficiente; ela era e sempre será infinitamente mais efetiva do que qualquer outra proposta que os filósofos e intelectuais deste mundo possa oferecer!

Sabemos que os partidos de esquerda, todos, sem exceção, são comprometidos com as ideias de Marx e propagadores das suas doutrinas que, segundo a Bíblia, é um tolo! Porém, não podemos achar que o comunismo é a própria encarnação de Satanás. O comunismo é apenas uma da maneiras usadas pelo Adversário (o anticristo) para destruir os princípios. Nossa luta não é contra o comunismo, mas contra o anticristo, a origem do mal.

Assim sendo, deveria ser óbvio um cristão não votar em partidos, ou mesmo candidatos que têm esse pensamento destruidor. Um cristão não deveria exercer sua cidadania, que lhe dá o direito e o dever de votar, de forma irresponsável. Cabe ao eleitor cristão saber em quem está votando (tanto partido, quanto candidato) para não contribuir com a propagação de ideias anticristãs.

Ainda que não cabe aos cristãos impor suas ideias, não seria nem um pouco sensato votar contra a sua própria fé. Isso nada tem a ver com admitir que se instale um governo cristão institucionalizado, um estado evangélico! Longe disso! Se fosse assim, Jesus já o teria feito! Não queremos, de forma alguma, instalar uma ditadura de pensamento evangélico. Nem precisamos disso, pois o evangelho se propaga de forma espontânea, prazerosa e livre, pela ação simples e sobrenatural do Espírito Santo. Não somos militantes, à semelhança dos militantes partidários e ideológicos. Ao mesmo tempo não podemos ignorar nossa responsabilidade cidadã, e votar contra as nossas convicções e confissão de fé.

 

A EXPECTATIVA CORRETA

Portanto, todo cristão sabe muito bem que a solução não está em governos humanos. Ele não coloca sua esperança em propostas ideológicas, nem idolatra partidos e personagens políticos, mas coloca sua esperança em Jesus, Aquele que veio implantar o Reino de paz sobre a terra. Seus discípulos ficaram chocados com Sua reação totalmente rendida ao Pai, pois sabia que Sua atitude de cruz traria vida a toda humanidade. Ao mesmo tempo, Ele se submeteu às autoridades da época, dando o exemplo de cidadão, embora não Se curvasse ao padrão do sistema da sociedade.

Como foi que a proposta do evangelho de Cristo prevaleceu ao longo da história? Não foi porque os cristão assumiram o poder. Ainda que à partir do quarto século a igreja se institucionalizou, esta nunca foi a verdadeira igreja. O movimento social, chamado igreja, sempre foi dependente de Deus, e não de estruturas humanas, políticas e governamentais. Ainda que se pense que a igreja é essa instituição que está aí e que se tenha dela uma imagem de opressora, fundamentalista e absolutista, essa não é a verdadeira igreja, pois está longe da proposta do evangelho. O evangelho puro foi preservado ao longo dos séculos de forma não institucionalizada.

A família patriarcal, a propriedade privada, e os princípios judaico-cristãos não são prerrogativas da igreja instituição. São valores que, em Cristo Jesus, se potencializaram, a fim de trazer vida e bem estar a toda humanidade. São condições para que o ser humano se desenvolva em sociedade e seja próspero em todos os aspectos da vida. E Deus, o Criador, nunca impôs essa regras. Ele nos deu livre arbítrio, no entanto, sempre deixando claro que as consequências da quebra do princípio é ser quebrado pelo princípio.

A história das civilizações prova que a humanidade sempre sofre as consequências do seu afastamento de Deus. E agora não será diferente. Portanto, a solução para a sociedade não está na direita nem na esquerda. Não vamos cair na armadilha de defender bandeiras partidária e linhas ideológicas, muito menos idolatrar líderes políticos. O evangelho não é uma ideologia, é simplesmente Cristo em nós. Jesus afirmou que o Reino de Deus está dentro de nós. Jesus é o centro de todas as coisas. Ele ama a todos, e quer que todos cheguem ao conhecimento da verdade, inclusive ateístas e marxistas!

Mas isso não significa dizer que a direita é de Deus e a esquerda é do Diabo, ou que todos os políticos de direita são agentes do céu. Isso é pura ilusão, para não dizer um grande equívoco. As linhas de pensamento filosóficos, ideológicos e partidários não podem ser o fator determinante do nosso voto. Nossa escolha deve ter unicamente Cristo como critério. É a nossa vida, liberando Cristo através de nossas ações e palavras, baseadas no amor, tolerância, misericórdia e compaixão que vai trazer verdadeira mudança na sociedade. Sem violência, mas na plena segurança que parte de um coração consciente de sua fé e bem resolvido internamente. Quem sabe o que é não precisa brigar, provar, se impor. Ele deixa que a lógica das suas ideias e conduta se comprove nas consequências práticas das atitudes de Cristo.