Palavra Culto Domingo // 14 de outubro

UM TRANSPLANTE DE CORAÇÃO

 

“Dêem, e lhes será dado: uma boa medida, calcada, sacudida e transbordante será dada a vocês. Pois a medida que usarem também será usada para medir vocês” (Lucas 6:38).

Neste versículo Jesus não estava falando apenas de dinheiro, mas sim revelando um princípio que se aplica a todas as áreas da nossa vida. Precisamos observar os versículos anteriores (vs. 36 e 37). Jesus estava falando sobre o princípio mais amplo da arte de dar – perdão, misericórdia, compreensão, paciência, etc. Ou seja, o que quer que você dê, lhe será dado de volta em boa medida, calcada, sacudida, transbordante. Jesus estava ensinando que, seja o que for que damos, recebemos muito mais daquilo em troca. Você sempre recebe de volta mais do que dá.

Porém, muitas pessoas erram com relação a esta passagem. O princípio do “dar e vos será dado” deve ser a nossa recompensa e não a nossa motivação. O problema fundamental em relação a Lucas 6:38 é que o lucro material é apresentado muitas vezes como a motivação para se dar. Mas Deus não quer que alcancemos a visão de receber, e sim a visão de dar. Certamente, Ele quer que tenhamos boas coisas, mas as motivações são tudo (Provérbios 16:2; Tiago 4:3).

Não é por coincidência que esta passagem começa com as palavras: “Dê a todo aquele que lhe pedir” (v.30). Ambos os versículos começam com a palavra “dar”. A mensagem do sermão de Jesus é dêem. Dêem aos que pedem, aos que não podem pagar; dêem amor aos que não merecem, misericórdia aos que lhe fazem mal; dêem o tipo de tratamento que você espera receber dos outros. A ênfase está no dar, e o receber é apenas uma consequência. Em outras palavras, Ele está dizendo: “Quando você der apenas por dar, eu vou lhe recompensar lhe dando em troca em medida muito maior”.

Em Deuteronômio 15:7-15 temos uma visão clara do coração de Deus. O texto diz que Deus contempla a atitude do coração daquele que dá (II Coríntios 9:7).

O coração altruísta (v.9). Os pensamentos ímpios nos impedem de ter compaixão pelas pessoas. São pensamentos egoístas. O egoísmo tenta nos convencer de que não teremos o suficiente, ou que Deus não será fiel para suprir nossas necessidades caso venhamos a dar a outros. Nós nascemos egoístas. O padrão do coração humano é acumular e evitar compartilhar com quem quer que seja. Então, um Pai amoroso vem até nós e diz: “Eu quero lidar com esse coração mau e egoísta e fazer de você um doador. Quero tornar você semelhante a mim!”.

O coração disposto (v.10). A promessa de bênção é dirigida àqueles que não são relutantes em dar. O egoísmo pode nos atacar antes de darmos, mas um coração relutante pode nos nos atacar depois de darmos. Muitas pessoas dão movidas pela emoção e depois lamentam por ter dado a oferta. Como combater o remorso? Com a perspectiva de Deus sobre o dinheiro – quando entendemos que Deus é o Dono de todo ele, é fácil entregá-lo quando Ele nos pede. Tudo pertence a Deus; estamos simplesmente exercendo a mordomia sobre essas coisas. Talvez tenhamos nos esquecido que Deus é o proprietário, e que, ao compartilharmos, estamos, na verdade, devolvendo a Deus o que Lhe pertence em primeiro lugar.

O coração generoso (v.14). Somos chamados a dar liberalmente daquilo com o que Deus tem nos abençoado. Não devemos ser sovinas ao dar; devemos ser generosos. Isso vai contra o núcleo da nossa natureza caída. Mas em Cristo nascemos de novo, agora com um coração generoso! O egoísmo tenta manipular a Deus ou “fazer acordos” com Ele no que diz respeito a dar. Mas a pessoa que tem um coração liberal dá rapidamente e generosamente porque sabe que tudo pertence a Deus, e ela confia em Deus para cuidar dela e abençoá-la.

O coração grato (v.15). Precisamos desenvolver um coração grato. Por que os israelitas deveriam lembrar que foram escravos? Porque isso encheria o coração deles de gratidão pelo que Deus havia feito por eles. Quando permitimos que Deus nos lembre que costumávamos ser escravos e que tudo o que possuímos nos foi dados pela Sua preciosa mão, isso nos ajuda a ser gratos. E, quando somos gratos, somos generosos. Quando uma pessoa é diversas vezes abençoada, ela pode ver a oferta como um direito. Reagimos assim em relação a Deus. Deus nos abençoa e nos dá repetidamente, e isso é esperado. Se isto cessa, ficamos ofendidos e zangados. É ganância ou gratidão?

Deus abençoa as pessoas que dão? Com certeza. Mas essas promessas de bênçãos são feitas não para nos seduzir, e sim para nos libertar do medo e da tristeza que impede tantos cristãos de abrirem a mão para dar. Deus derrama bênçãos sobre aqueles que dão, e Ele faz isso para que eles possam continuar a dar ainda mais para o Seu Reino – mas é necessário um transplante de coração!

 

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