Palavra Culto Domingo // 16 de dezembro

A CHAVE DA VERDADEIRA ALEGRIA

(Neemias 8:8-10)

Segundo uma pesquisa feita pelo Instituto Gallup, publicada em Setembro de 2017, os níveis de estresse, raiva, tristeza e sentimento de preocupação têm crescido sensivelmente. Nunca o mundo esteve tão triste. Uma em cada cinco pessoas pode ser vista com tristeza ou raiva. É interessante notar que isso acontece ao mesmo tempo em que o Índice de Desenvolvimento Humano tem melhorado de forma generalizada. Isso prova que, embora os fatores externos possam ter sua influência, estes não são determinantes sobre o humor e a alegria na vida das pessoas.

Quando os israelitas voltaram para Jerusalém após 70 anos de exílio na Babilônia, logo começaram a reconstruir os muros e a cidade pela liderança de Neemias. Depois de terem terminado a obra de reconstrução dos muros, todos se reuniram em público na praça para ouvirem a leitura do Livro da Lei. Enquanto  Esdras lia o livro, o povo começou a chorar (Neemias 8:9). A leitura do livro revelou o quanto eles tinham pecado, razão pela qual sofreram as consequências do exílio. Seus corações foram quebrantados, por isso choravam de arrependimento.

O que é a “alegria do Senhor”? (Neemias 8:10). É a que vem de uma fonte sobrenatural. Ela não é fabricada, não depende de mecanismos psicológicos, nem de remédios ou substâncias químicas capazes de produzir sensações e alterar emoções. Mas ela tem um ponto de partida – a tristeza! Quando o povo de Israel ouviu aquelas verdades, tornou-se consciente da condição espiritual em que se encontrava, se rendeu, e, a princípio, foi tomado por uma tristeza de arrependimento, mas em seguida essa tristeza produziu alegria genuína.

 

Dois tipos de tristeza

A Bíblia diz: “A tristeza segundo Deus não produz remorso, mas sim um arrependimento que leva à salvação, e a tristeza segundo o mundo produz morte” (II Coríntios 7:10). Portanto, existem duas fontes de tristeza: a de Deus e a do mundo. A do mundo produz morte, a de Deus produz salvação, portanto alegria verdadeira! A tristeza do mundo vem pela consequência do pecado, a de Deus vem pela consciência do pecado.

A tristeza deste mundo produz morte porque o salário do pecado é a morte (Romanos 6:23). Por exemplo, violência, traição, engano, ofensa, maldade, ingratidão, deslealdade, ódio, desonra, rejeição, abuso,… provocam profunda tristeza, que muitas vezes desencadeia depressão e morte. Mas a tristeza que nasce da consciência de pecado, promove arrependimento para dar lugar à consciência do perdão que vem pela graça. Quando a graça entra em operação, a alegria brota, a que vem de Deus, então somos fortalecidos. Por isso, quanto mais conscientes do pecado, mais conscientes da graça; e quanto mais conscientes da graça, mais cheios de alegria.

Os que não conseguem reconhecer suas próprias falhas e pecados, não perdoam, buscam autoafirmação, se comportam como os donos da razão,… ainda carregam o peso da autossuficiência! A origem etimológica da palavra “alegria” vem do latim “alacritas” ou “alacer”, que significa “animado”, “contente”, ou “ânimo leve” – não tem mais peso, o peso da culpa, do pecado, da tristeza. Jesus disse: “… Aprendam de mim, pois sou manso e humilde de coração, e vocês encontrarão descanso para as suas almas” (Mateus 11:28-29).

 

A tristeza do mundo é crônica, a de Deus é transitória

Tiago diz: “Entristeçam-se, lamentem e chorem. Troquem o riso por lamento e a alegria por tristeza…” (Tiago 4:8-10). A alegria superficial, humana, triunfalista, deve ser substituída pela alegria verdadeira; mas antes disso vem o choro de arrependimento, uma tristeza transitória, que é apenas o caminho por onde passa a verdadeira alegria. A psicologia moderna diz que devemos nos livrar da culpa para sermos felizes. Ela não considera o “fator Deus”. Mas o evangelho diz que devemos, sim, reconhecer a culpa, no entanto não ficarmos presos nela, porque Deus providenciou a graça do perdão!

Há uma promessa àqueles que recebem o Espírito Santo: óleo de alegria em vez de pranto (Isaías 61:1-3). O Espírito de alegria vem sobre os que se esvaziam, se rendem, se arrependem dos seus pecados. Presunçosos, orgulhosos, altivos, arrogantes e soberbos não podem receber esse óleo, porque estão cheios de si mesmos. Jesus foi cheio desse óleo, e isso O destacava quando viveu entre os homens (Hebreus 1:9).

Vale a pena substituir a falsa alegria pela verdadeira, substituindo a tristeza do mundo pela tristeza de Deus. A falsa é superficial e temporária, depende de fatores externos; a verdadeira é intensa e eterna. A Bíblia diz: “A alegria do coração transparece no rosto, mas o coração angustiado oprime o espírito” (Provérbios 15:13). O exterior é embelezado pela alegria que vem de dentro, mas a inconstância da alegria que vem de fora traz dor para a alma e abatimento ao rosto. Jesus é a nossa alegria!