Palavra Domingo // 06 de maio

                                  Igreja, lugar de todos

(Marcos 3:1-6)

 

“Noutra ocasião ele entrou na sinagoga, e estava ali um homem com uma das mãos atrofiada. Alguns deles estavam procurando um motivo para acusar Jesus; por isso o observavam atentamente, para ver se ele iria curá-lo no sábado. Jesus disse ao homem da mão atrofiada: “Levante-se e venha para o meio”. Depois Jesus lhes perguntou: “O que é permitido fazer no sábado: o bem ou o mal, salvar a vida ou matar? ” Mas eles permaneceram em silêncio. Irado, olhou para os que estavam à sua volta e, profundamente entristecido por causa dos seus corações endurecidos, disse ao homem: “Estenda a mão”. Ele a estendeu, e ela foi restaurada. Então os fariseus saíram e começaram a conspirar com os herodianos contra Jesus, sobre como poderiam matá-lo”. (Marcos 3:1-6).

Com certeza você ouviu esta frase: Deus ama a todos! Deus não faz acepção de pessoas. De fato, estas frases estão certas. Mas na prática, elas estão sendo vividas por aqueles que representam Deus na terra? A igreja é a representação física de Jesus na terra. A bíblia diz que Jesus é o cabeça da igreja (Cl 1:18) e que nós somos o corpo de Cristo (1 Co 12:27). Na prática nós somos os braços e os pés de Jesus. Se somos Jesus na terra, estamos atingindo todas as pessoas da terra?

No Brasil existem mais de doze milhões de pessoas que tem algum tipo de deficiência. Segundo o IBGE, as deficiências que foram pesquisadas são: auditiva, visual, física e intelectual. O sul do Brasil é região com maior índice de pessoas deficientes visuais com 5,4% do total no brasil.

Segundo a Lei brasileira de inclusão, considera-se pessoa com deficiência aquela que tem impedimento de longo prazo de natureza física, mental, intelectual ou sensorial, o qual tem interação com uma ou mais barreiras, pode obstruir sua participação plena e efetiva na sociedade em igualdade de condições com as demais pessoas.

O artigo oitavo do estatuto da pessoa com deficiência diz: “ É dever do Estado, da sociedade (Igreja) e da família assegurar a pessoa com deficiência, com prioridade, a dos direitos referentes à vida, à saúde, à sexualidade, à paternidade e à maternidade, à alimentação, à habitação, à educação, à profissionalização , ao trabalho, à previdência social, à habilitação e à reabilitação, ao transporte, à acessibilidade, à cultura, ao desporto, ao turismo, ao lazer, à informação, à comunicação, aos avanços científicos e tecnológicos, à dignidade, ao respeito, à liberdade, à convivência familiar e comunitária, entre outros decorrentes da constituição Federal, da Convenção sobre os Direitos das Pessoas com Deficiência e seu Protocolo Facultativo e das leis e de outras normas que garantam seu bem-estar pessoal, social e econômico.

É estranho que por se tratar de um número tão expressivo de brasileiros com deficiência, temos um número tão pequeno nas igrejas. Se Deus ama a todos, por que não temos uma grande quantidade de deficientes auditivos ou deficientes visuais na igreja? Onde estão as pessoas com síndrome de Down? Por que eles não estão em nossas comunidades?

 

Jesus ama a todos

 

O texto de Marcos relata a cura de um homem com a mão aleijada. Este homem estava sentado provavelmente num canto para ouvir Jesus falar. Perceba que no texto, ninguém estava dando atenção a este homem. Jesus percebe aquele homem e pede para ele se levantar e ir para o meio. (vs. 3).

Assim como Jesus, devemos dar atenção a todas as pessoas, inclusive àqueles que possuem deficiência. Se queremos ser uma comunidade acolhedora, precisamos acolher todos.

Pedro quando foi visitar Cornélio, antes de visita-lo não queria ir. Cornélio era gentio e Pedro judeu, por isso, por causa da Lei, não era permitido judeu falar com gentio. Jesus quebrou toda a barreira entre as pessoas. “Não há judeu nem grego, escravo nem livre, homem nem mulher; pois todos são um em Cristo Jesus”. (Gálatas 3:28).

Quando Pedro viu que Deus visitou Cornélio e toda a sua casa disse:  “Agora percebo verdadeiramente que Deus não trata as pessoas com parcialidade, mas de todas as nações aceita todo aquele que o teme e faz o que é justo”. (Atos 10:34,35). Não pode haver barreiras entre pessoas sem e com deficiência.

Deus ama a todos e quer se revelar em todos, inclusive nos deficientes.

 

A religiosidade nos cega

 

Perceba que em nenhum momento as pessoas que estavam na sinagoga se preocupam com homem. Todos estavam preocupados se Jesus iria quebrar a lei do sábado.

“Irado, olhou para os que estavam à sua volta e, profundamente entristecido por causa dos seus corações endurecidos”. (Marcos 3:5).

A religiosidade traz insensibilidade, por isso a ira de Jesus.

“Vão aprender o que significa isto: ‘Desejo misericórdia, não sacrifícios’. Pois eu não vim chamar justos, mas pecadores” (Mateus 9:13). Jesus quando interrogado afirmou que Ele deseja misericórdia e não sacrifícios. Quantos mais íntimos de Jesus ficamos, mas ser humano nos tornamos, ou seja, ficaremos mais sensíveis as necessidades das pessoas. A cegueira daquelas pessoas não permitiu eles verem a necessidade daquele homem. Precisamos tomar muito cuidado para não nos tornarmos insensíveis às necessidades das pessoas, inclusive dos deficientes.

 

O que é mais importante? A cura ou a salvação?

 

Muitos só convidam os deficientes para uma noite de curas e milagres. Mas minha pregunta é: O que é mais importante? A cura ou a salvação? Muitos vão responder a salvação, mas na prática agimos dizendo que a cura é o mais importante. Mas se a pessoa não for curada? Quer dizer que a glória de Deus só é manifestada se ela for curada? Se Jesus não cura, quer dizer que Ele não ama os deficientes ou quer dizer que os deficientes não têm fé? Onde está isso na bíblia?

 

“Porque Deus tanto amou o mundo que deu o seu Filho Unigênito, para que todo

(homem e mulher de todas as raças deficiente ou não) o que nele crer não pereça, mas tenha a vida eterna” (João 3:16).

Deus quer que todos, inclusive os deficientes, possam receber a salvação em Cristo Jesus. Jesus ama a todos e nós precisamos crescer no amor pelos deficientes. Que o Senhor nos ajude.