Palavra e Roteiro de célula // 03 de junho

COMO VENCER O DESERTO

 

Ao nos enviar para fazer discípulos Jesus disse como: indo, batizando, ensinando (Mateus 28:19-20). O primeiro passo, portanto, para um discípulo é o batismo, o sinal da renúncia total para uma aliança com Deus (Lucas 14:33). Ensino sem o requisito do compromisso não produz efeito algum para quem está sendo ensinado e gera desgaste para quem ensina. Por quê? Porque todo ensino só pode ser assimilado pela ação do Espírito Santo (João 14:26). Quem está cheio de si, não pode ser cheio do Espírito, e quem não tem o Espírito não pode ser ensinado!

Jesus também foi batizado. Ao sair da água, o Espírito Santo veio sobre Ele e, em seguida O impeliu ao deserto (Mateus 3:16, 4:1). Por quarenta dias e quarenta noites ficou só, mas o Espírito, o Conselheiro, estava com Ele. Jesus disse que o mesmo Espírito seria dado a nós (João 14:26). A palavra grega para “Conselheiro” é parakletos, que significa “intercessor”, “consolador”, “encorajador”, “alguém chamado para ajudar”. Todo cristão entra na mesma trajetória de Cristo. Ao ser batizado, recebe o Espírito. O deserto é a próxima etapa. Os primeiros dias e meses depois de uma entrega irrestrita a Cristo são representados pelo deserto, lugar de tentação; para muitos, os mais difíceis! Importante dizer que o deserto é uma regra; todos passam por ele Porém, o parakletos (ajudador) está com aqueles que sinceramente fizeram uma renúncia para seguir Jesus.

A história de Israel no VT faz paralelo a isso. Tudo o que está registrado no VT são sombras das coisas futuras. Israel estava escravizado no Egito (uma figura do sistema do mundo), e Moisés (uma figura de Cristo) foi libertá-los. Logo que saíram do Egito, passaram pelo Mar Vermelho, uma figura do batismo (I Coríntios 10:2). Depois de passarem pelo mar (batismo) entraram no deserto, o lugar de provação; mas uma nuvem durante o dia e uma coluna de fogo à noite ia adiante deles (Êxodo 13:21-22), uma figura do Espírito Santo, o ajudador! O deserto, porém, era apenas transitório, uma passagem para o destino – a Terra Prometida.

 

O deserto é necessário, mas transitório

O mesmo acontece com todo cristão. No deserto somos adestrados, treinados, forjados, para entrar na plenitude de Deus. Porém, Jesus entrou no deserto e ficou quarenta dias, enquanto Israel ficou quarenta anos! Por quê? Porque o que determina o tempo no deserto é a nossa postura em relação à Palavra. Jesus enfrentou o Diabo com a palavra (Mateus 4:1-11).

Todos nós precisamos de discipuladores. São pessoas que nos ajudam na caminhada, especialmente nos primeiros passos da fé. De certa forma, os discipuladores agem como uma figura do Espírito Santo, pois se colocam ao lado para ajudar. Barnabé, por exemplo, foi quem acompanhou Saulo no início da sua conversão (Atos 9:27) e seu nome significa “encorajador”, o mesmo papel de parakletos (O Espírito Santo). Portanto, discipuladores motivam, encorajam, incentivam o discípulo a buscar seu próprio alimento espiritual por meio da oração e da palavra, mas eles não vão vencer o Diabo pelos discípulos. A palavra não pode ser substituída por nenhuma estratégia humana ou técnica de psicologia.

 

Só há um alimento

O povo de Israel não teve paciência no deserto e começou a ter saudades do Egito (Êxodo 16:2-3). Deus, então, lhes deu um alimento, o maná (Êxodo 16:4), uma figura de Jesus, o Pão que desceu do céu (João 6:51), a Palavra encarnada (João 1:14). O maná era o pão diário que deviam recolher antes do sol esquentar (Êxodo 16:21). Mas eles não deram ouvidos à Palavra, e desprezaram o maná (Números 21:4-5).

Quem despreza a palavra (maná), despreza a Jesus (o Pão do céu)! É grande o número de cristãos confessos que não valorizam a palavra, não têm prazer nela; acham outras leituras muito mais interessantes. Outros, por conta da preguiça espiritual, preferem artigos da internet e vídeos do youtube, correndo sérios riscos de contaminação.  Por que comer o pão amassado por outros, se temos acesso direto ao Pão do céu? Jesus disse que Satanás é o príncipe deste mundo (João 16:11) e o pai da mentira (João 8:44). Pesquisas revelam que uma notícia falsa se espalha seis vezes mais rápido que uma notícia verdadeira pelas redes sociais.

Por causa do desprezo ao maná, o Senhor enviou serpentes venenosas que morderam o povo. Então Deus mandou Moisés fazer uma serpente de bronze e colocou num poste. Quando alguém era mordido, olhava para ela e permanecia vivo. Era uma referência a Jesus levantado na cruz (João 3:14). Quem olha para Ele, a Palavra, é livre da morte espiritual, pois ela neutraliza o efeito do veneno.

Quando a palavra é desprezada, não se tem poder sobre as serpentes. Serpentes simbolizam Satanás. Ou vencemos a serpente ou ela nos vence! A mentira só pode ser vencida com a verdade (Jesus). Ele disse: “Eu lhes dei autoridade para pisarem sobre cobras e escorpiões…” (Lucas 10:19). Somente pela Palavra podemos vencer o deserto!

 

roteiro de célula