Palavra e Roteiro de Célula de 12 de junho

O PRINCÍPIO DA BACIA E DA TOALHA – João 13:1-17

Jesus amou os Seus discípulos até o fim; ou seja, amou-os perfeitamente, de maneira incondicional. Este texto fala da última refeição com Seus discípulos, por ocasião da festa da Páscoa. Entre eles estava Judas Iscariotes, aquele que já tinha sido induzido pelo Diabo a traí-Lo (v.2). Jesus sabia do coração de Judas e ainda assim prosseguiu naquele ato sem excluí-lo, como demonstração de que amou a todos até o fim, sem desistir de ninguém.

O v.3 menciona que Jesus sabia quem Ele era; de onde vinha, qual era a Sua missão e para onde estava indo. O Pai havia colocado todas as coisas debaixo do Seu poder! Ele era resolvido em seu interior. Não precisava se impor; não fez exigências, não reivindicou direitos, não Se queixou, nem sequer denunciou o traidor. Nossa tendência seria, no lugar dEle, cheios de razão, expulsar do nosso meio o traidor e chorar nossas mágoas para os demais irmãos. Esquecemos que os que são chamados por Deus e optam pela cruz, já morreram e renasceram; já perderam tudo o que poderiam perder e já ganharam tudo o que poderiam ganhar!

Servir é se inclinar

Lavar os pés era serviço de escravos, quando se entrava numa casa. Jesus Se levantou no meio da refeição, justamente para evidenciar a recusa coletiva em efetuar essa importante tarefa servil. Corremos o grande perigo de achar que, depois de servirmos algum tempo, merecemos uma promoção; então não precisamos mais fazer serviços humildes.

Certa ocasião Jesus perguntou aos Seus discípulos: “Pois quem é maior: o que está à mesa, ou o que serve? Não é o que está à mesa? Mas eu estou entre vocês como quem serve” (Lucas 22:27). Jesus saiu da mesa e Se inclinou; sim, porque para lavar os pés é necessário se inclinar. Não existe serviço no Reino de Deus que se possa fazer de cima para baixo. O ministro não é aquele que se coloca numa posição superior. Infelizmente, nossas referências visuais distorcem o sentido da palavra ministrar. Em nossos locais de culto os que são chamados “ministros” estão geralmente num patamar superior dando a impressão de que se dirigem ao povo de cima para baixo. Mas o púlpito de Jesus foi de baixo para cima. Ele Se inclinou e passou a fazer o serviço de um escravo. A postura de Jesus nos ensina o nível de serviço que Ele espera de nós. É possível servir com a intenção de aparecer, travestir-se de humildade quando se quer dominar!

Servir é incondicional

O que revestiu esse ato de maior valor foi que Jesus sabia do traidor entre eles. Ele serviu alguém que não lhe amava, pelo contrário, estava planejando entregá-Lo à morte. Quem de nós faria isso? Como mostrar amor prático, servindo alguém que já tem seu coração contaminado pelo Diabo contra nós? No capítulo 12 lemos que na casa de Maria, quando ela derramou um perfume caro sobre os pés de Jesus, Judas fez uma crítica severa (v.4). Era uma indireta ao próprio Jesus, porque permitiu que ela fizesse isso. Nota-se que Judas já estava demonstrando hostilidade há algum tempo, mas Jesus não permitiu comportamento limitador. Tratou-o igual aos outros. Esse amor incondicional, que se materializa pelo serviço, é o padrão que o Mestre nos ensinou.

Servir abre os céus

Quando Pedro quis mostrar humildade não se deixando lavar, Jesus disse: “Se eu não os lavar, você não terá parte comigo” (v.8). Algo semelhante aconteceu quando João Batista não quis batizá-lo: “Eu preciso ser batizado por ti, e tu vens a mim?” (Mateus 3:13). Mas Jesus Se inclinou diante de João e foi batizado; logo depois o céu se abriu e uma voz se ouviu: “Tu és o meu filho amado; em ti me agrado” (Marcos 1:11).

Ter parte com Jesus é se identificar com Ele. Só quem recebe a graça é que pode ser perdoado e purificado de todo pecado. Jesus lavou a todos nós quando Se entregou em humilhação completa até a cruz. Se inclinar para ser lavado abre os céus!

Servir é viver em comunidade

Jesus disse: “Quem já se banhou precisa apenas lavar os pés; todo o seu corpo está limpo” (v.10). Quando nos entregamos a Cristo, nascemos de novo e somos purificados por completo. O batismo tipifica isso, pois somos regenerados pela água da palavra. Mas nossos pés sujam no dia a dia. Não temos como evitar a contaminação enquanto vivemos neste mundo. Precisamos de purificação constante e diária. Precisamos de irmãos que lavem os nossos pés enquanto nós lavamos os deles. Foi por isso que ao final, Ele disse: “Vocês também devem lavar os pés uns dos outros” (v.14). Servir a Jesus é servir aos irmãos. Haverá o momento de lavar, mas também de se deixar lavar. Isso é vida em comunidade. Esta é a proposta do evangelho.

Jesus reforçou sua afirmação dizendo: “Agora que vocês sabem estas coisas, felizes serão se as praticarem” (v.17). É a prática que nos faz feliz e não o conhecimento. Servir aos que nos amam e que nos são agradáveis é normal, mas servir aos que nos odeiam e hostilizam, como o fez Jesus, é o grande teste da bacia e da toalha.