Síndrome de Nabucodonosor – parte 1


Nabucodonosor foi um Rei do Império Neobabilônico (605-562 a.C.). Em 587 ou 586 ele destruiu Jerusalém e levou o povo de Judá para o CATIVEIRO. Certo dia este rei teve um sonho que angustiou a sua alma e, por esta razão, queria saber sua interpretação. Ele procurou os magos, os feiticeiros, os encantadores e os caldeus, mas nenhum destes pôde revelar o sonho e seu significa.

Sendo assim, o Rei deu ordem para que se matassem todos os sábios da Babilônia, o que incluía Daniel e seus companheiros, Sadraque, Mesaque e Abede-Nego. Daniel pediu ao encarregado pelo extermínio dos sábios que lhe desse um prazo, pois revelaria o sonho do rei. Seu pedido foi atendido. Diante desta situação Daniel procurou a Sadraque, Mesaque e Abede-Nego, a fim de que orassem ao Senhor para ser revelado o sonho de Nabucodonosor e o seu significado.

Importante fazer um pequeno parêntese nesta história para dizer que a revelação do Senhor é dada à igreja, por esta razão era necessário que Daniel procurasse seus amigos, pois “quando dois de vós concordarem com alguma coisa na terra, será ligado nos céus, visto que, onde estiverem dois ou mais reunidos em meu Nome, ali Eu estarei” (Mateus 18:18 a 20).

Neste contexto podemos entender melhor a necessidade de interdependência do corpo de Cristo, pois sozinhos nada podemos fazer, mas quando estamos unidos – e a CÉLULA é uma ótima ferramenta para isto – não há nada que intentamos fazer que não possamos (Gênesis 11:6). No caso da igreja o adágio popular é verdadeiro: “a União faz a força”, pois na União o Senhor ordena a sua benção. (Salmo 33: 1 em diante).

Dito isto, continuemos a história. Como todos sabem, o Senhor revelou à Igreja (expressa naquela pequena célula de quatro pessoas), na pessoa de Daniel, o significado do Sonho de Nabucodonosor.

Tratava-se de uma Estátua dividida em várias partes: A cabeça daquela estátua era de ouro fino; o seu peito e os seus braços, de prata; o seu ventre e as suas coxas, de cobre; as pernas, de ferro; os seus pés, em parte de ferro e em parte de barro. Daniel continuou dizendo: Estavas vendo isso, quando uma pedra foi cortada, sem mão, a qual feriu a estátua nos pés de ferro e de barro e os esmiuçou.

Este era o sonho, mas a interpretação era que cada parte daquele corpo simbolizava um reino e a pedra lançada tipifica a Cristo, o qual esmiúça os reinos desta terra e fará um novo reino onde nós, os que cremos, reinaremos juntamente com Ele pelos séculos dos séculos. Aleluia!

Frise-se que Daniel 2: 37 e 38 diz: Tu, ó rei, és rei de reis, pois o Deus dos céus te tem dado o reino, e o poder, e a força, e a majestade. E, onde quer que habitem filhos de homens, animais do campo e aves do céu, ele tos entregou na tua mão e fez que dominassem sobre todos eles; tu és a cabeça de ouro.

Nabucodonosor era a cabeça de ouro, cheia de glória e majestade! Isto era muito bom, mas o rei em questão deixou ser levado pelo sentimento de vanglória e ingressou em uma Síndrome, que chamamos de: A Síndrome de Nabucodonosor.

Logo após Nabucodonosor ter recebido uma grande revelação de Deus (ele ser a cabeça de ouro), este rei construiu, como vemos no primeiro versículo do capítulo três do Livro de Daniel, uma estátua gigantesca de ouro.

Ora, Deus tinha dito que Nabucodonosor seria a cabeça de ouro de uma estátua, mas esta revelação subiu ao coração deste rei e ele quis ser mais do que Deus tinha dito para ele ser, ele queria ser a estátua toda. Não havia espaço nesta estátua para a prata, bronze, cobre, ferro e o barro, só para o ouro.

Isto tem acontecido muitas vezes em nossas células. Irmãos são comissionados pelo Senhor a liderança de uma célula, mas devido às revelações que lhe são dadas, o irmão desavisado começa a acreditar que pode ter uma vida cristã sem a dependência das demais partes do corpo, menosprezando os demais membros da igreja e de sua célula.

Começa-se a criar super líderes, os quais não dependem das demais partes do corpo, pois acreditam que todas as revelações foram dadas a ele. Ledo engano! Não existe crescimento espiritual longe do corpo de Cristo! Uma perna não caminha sozinha, pois se for arrancada do corpo irá apodrecer e morrer. Uma cabeça, por mais que tenha um lugar de destaque, precisa do corpo, pois sem ele não haverá vida, nem tão pouco como se movimentar.

Líderes que acreditam que, por serem cabeças, não precisam do corpo, tendem a não conseguir dirigir a célula e não possuem autoridade. Mas por quê? Pois, como já mencionamos, a unção do Senhor foi dada à igreja e não a homens individualmente. Só haverá unção para exercer autoridade se estivermos inseridos no corpo, caso contrário, seremos apenas meros pedaços apodrecendo, prontos para sermos comidos pelos vermes!

Normalmente este tipo de liderança celular tende a monopolizar todas as atividades da célula, nunca delegam, pois acreditam que se eles fizerem a tal atividade sempre será melhor.

Podemos notar a diferença entre a liderança de Nabucodonosor e a de Daniel. Aquele constrói uma estátua para si, mas este constrói um altar para Deus. Quando queremos dominar a célula iremos edificar um altar para nós mesmo, devemos, assim como Daniel, entender que o corpo de Cristo é interdependente e que precisamos de todos os membros da célula, ainda que sejamos os líderes.

Esta é a primeira parte da Síndrome de Nabucodonosor: Querer ser todo o corpo e não uma parte dele.

Em breve a Parte 2.

Fonte: www.amominhacelula.com.br