Síndrome de Nabucodonosor – parte 2


Como se observa no texto bíblico, Nabucodonosor em razão da revelação que lhe foi dada, queria que todos as pessoas de toda língua, povos e raças se prostrassem diante da sua estátua.

Esta é a segunda parte da Síndrome de Nabucodonosor: além de querer ser todo o corpo, queremos ser exaltados pelos demais irmãos.

Muitas vezes recebemos do Senhor revelações grandiosas; ministérios ungidos; dons diversos, mas em razão destas coisas nos ensoberbeceram e passamos a querer que as pessoas adorem ao nosso ministério, à nossa revelação, à nossa liderança, à nossa atitude, ao nosso dom.

Ao fazermos isto, atraímos para nós maldição, pois colocamos outra coisa ou pessoa no lugar onde somente o Senhor Jesus deveria se assentar. Adoramos a criatura ao invés do Criador.

Estes fatos têm ocorrido muito em nossos dias, quando grandes líderes passam a ser idolatrados, isto é, as pessoas “correm atrás” destes homens não para ouvir a palavra de Deus, mas sim para adorar a grande estátua de ouro.

Este tipo de liderança diz: “Venha para a minha célula, pois aqui as coisas são diferentes”. Ainda que haja um aparente ar de espiritualidade, o que estes líderes estão querendo é serem adorados e seguidos por parasitas e não por discípulos.

Nós, como cristãos, estamos sendo levados, por um espírito diabólico, a querer ser exaltado pelos dons e liderança que o Senhor tem nos concedido. Isto não pode acontecer!!

Para elucidar este caso, vamos contar uma história real que aconteceu com um pastor de uma igreja do Sul do Brasil: certo dia este pastor pregou com autoridade e poder. Ao acabar o culto um irmão chegou e lhe disse: Pastor a sua palavra foi maravilhosa… você é um ótimo pregador… você é muito bom… bom mesmo!! Aquele pregador olhou para aquela ovelha desavisada e lhe disse: Irmão, foi exatamente isto que o Diabo acabou de me dizer!

Afora certos exageros, o pastor em questão estava sendo tentado a se exaltar e, aquela ovelhinha desavisada foi usada por satanás para induzi-lo a isto. A atitude do pastor foi correta, não aceitando a adoração de um irmão, pois sabia que os dons que lhe fora dado, bem como a pregação, não era algo que vinha dela, mas do Senhor Jesus, não havendo assim qualquer espaço para a auto-exaltação.

Temos muitas vezes aceitado esta proposta diabólica em nossas vidas. Quando acabamos uma pregação, uma célula, um louvor ou um discipulado, se alguém não nos elogiar, sentimo-nos frustrados, pois queremos reconhecimento. Não deve ser assim.

Não podemos ser envolvidos nesta síndrome de Nabucodonosor! Mas devemos ser humildes de espírito, não querendo reconhecimento humano, mas fazendo todas as coisas como ao Senhor, dando-lhe sempre graças e dirigindo a Ele todo o louvor, honra e glória!

Um terceiro aspecto da síndrome de Nabucodonosor é que: além de queremos o reconhecimento dos irmãos pelos nossos dons, ministérios e etc.; nós matamos (jogamos na fornalha quente) todos os que se levantam contra nossa pseudo-posição de liderança no corpo de Cristo ou nos afrontam de alguma forma.

É muito fácil notar as pessoas que vivem a síndrome de Nabucodonosor: Cristãos intransigentes que não aceitam a opinião de outros e são agressivos quando confrontados com o seu pecado, possivelmente estão vivendo a síndrome em testilha.

Como reagimos quando alguém discorda do que pensamos ou diz algo contra nossa liderança na célula? Damos ouvidos a esta pessoa, analisando se existe alguma razão no que ela diz? Ou simplesmente jogamos esta pessoa em uma fornalha?

Mas o que seria a fornalha nos tempos atuais? Em Tiago 3: 6 diz:  A língua também é um fogo; como mundo de iniqüidade, a língua está posta entre os nossos membros, e contamina todo o corpo, e inflama o curso da natureza, e é inflamada pelo inferno.

Quando maldizemos e fazemos fofocas contra irmãos que nos afrontam, quer com razão quer sem razão, estamos lançando eles na fornalha de fogo de nossas vidas. Nós julgamos nossos irmãos com a nossa língua e lhes damos a sentença: Fornalha ardente!

Temos um senso de justiça própria muito aguçado, qualquer um que nos afrontar estamos prontos para o revide. Não temos um espírito pacificador como o de Cristo que, “quando ultrajado, não revidava com ultraje; quando maltratado, não fazia ameaças, mas entregava-se àquele que julga retamente” (I Pedro 2:23).

Frise-se, mais uma vez que, quando maldizemos nossos irmãos ou os julgamos, estamos nos colocando no lugar do Juiz (Tiago 4:12) e querendo ser adorados ou em vez de adorar ao Senhor Jesus e entregar todas as coisas a Ele.

Um detalhe importante é que, para matar Sadraque, Mesaque e Abede-Nego, Nabucodonosor utilizou os 7 melhores/mais fortes/mais poderosos homens de seu exército e todos estes morreram ao lançar aqueles homens para dentro da fornalha, tornando, assim, mais vulnerável o seu reino ao ataque de inimigos, pois perderá seus melhores homens.

Sendo assim, quando alguém maldiz seu irmão, lançando-o dentro da fornalha quente, trará sobre si, reiteramos, maldição, uma vez que nesta sua atitude abrirá uma brecha para o inimigo, pois o seu exército estará desfalcado dos seus melhores homens que, como no caso de Nabucodonosor, foram mortos.

O inferno se alegra na desunião, pois ali, ao invés de o Senhor derramar a sua benção, há maldição e domínio infernal, pois esta região está nas trevas, isto é, sob a jurisdição do Diabo.

Precisamos fechar essas brechas em nossas vidas, pois, caso contrário, seremos vencidos e mortos pelo inimigo de nossa alma!

Diante deste panorama, se queremos que nossas células sejam uma benção, não podemos nos enredar nesta Síndrome de Nabucodonosor, e precisamos entender que, ainda que sejamos os líderes, somos um corpo interdependente e precisamos da ajuda de todos os membros de nossas células: Líderes centralizadores estão construindo um altar para si, portanto esta célula irá acabar, pois Deus não permite que ninguém receba a sua glória! Uma célula de sucesso é aquela em que o líder leva as pessoas a adorarem ao verdadeiro Rei, Jesus: esta célula irá multiplicar e dar muitos frutos, glorificando, assim, o nome de nosso Deus!

 

Fonte: www.amominhacelula.com.br